PUBLICIDADE

França defende cancelamento do Dakar 2022 após explosão: "Temos de ser prudentes"

Ministro de negócios externos da França, Jean-Yves Le Drian disse acreditar na hipótese de que houve um ato terrorista em Jedá e cogita cancelamento do Dakar como medida de segurança

8 jan 2022 09h14
| atualizado às 09h26
ver comentários
Publicidade
Ministro da França defende cancelamento do Dakar após explosão
Ministro da França defende cancelamento do Dakar após explosão
Foto: Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

ASTON MARTIN AINDA SE COMPORTA COMO UMA DAS EQUIPES DO FUTURO NA F1

O carro de apoio da equipe francesa Sodicars que explodiu do lado de fora do Hotel Donatello, local de hospedagem dos pilotos que disputam o Rali Dakar, pode ter sido alvo de terrorismo. Haviam seis pessoas no carro, e por mais que cinco tenham saído ilesas, o piloto Philippe Boutron sofreu "lesões graves na perna", de acordo com a equipe. E o Ministro para a Europa e de Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, levantou novamente a hipótese de um ataque terrorista e questionou se o evento deveria continuar.

"Pode ser", considerou Le Drian. "Deixamos isso claro e dissemos aos organizadores e aos oficiais da Arábia Saudita que deveríamos ser muito transparentes em relação ao que aconteceu, porque existem hipóteses de que tenha sido um ato terrorista", explicou em entrevista à emissora francesa BFM TV.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Jean-Yves Le Drian, Ministro para a Europa e de Relações Exteriores da França (Foto: Reprodução/France Diplomatie)

O anúncio de que uma agência antiterrorismo da França iria investigar o incidente saiu há poucos dias, e a ASO (Amaury Sport Organisation) — um dos principais organizadores de eventos desportivos na França e responsável pelo Dakar — também comunicou que tanto as autoridades da Arábia Saudita quanto da França estão envolvidas na investigação. O grupo de comunicação Amaury, além de organizar o Rali, participa de eventos como o Tour de France e a Maratona de Paris, além de ter conexões com os jornais franceses L'Équipe e Le Parisien.

"Já houveram atos terroristas na Arábia Saudita contra os interesses franceses, e foi importante proteger nossos cidadãos, avisar, prevenir e pedir por transparência", argumentou o ministro. "O escritório do promotor antiterrorismo foi chamado, e hoje temos essa situação: pode ter havido um ataque terrorista contra o Dakar", disse.

"Pensamos que talvez seria melhor suspender o evento. Os organizadores acham que não, mas temos que ser muito prudentes", argumentou. "No mínimo, eles precisam reforçar a segurança, o que fizeram. A questão ainda está na mesa", destacou.

Philippe Boutron, piloto francês que foi atingido por explosão enquanto pilotava carro de passeio da Sodicars (Foto: ASO)

Boutron — que é presidente do US Orleans, equipe da segunda divisão do Campeonato Francês — faria sua nona participação no Dakar, com a melhor posição de chegada em 2021: 33º. O francês acordou do coma a que havia sido induzido para diminuição das dores e segue no Hospital Militar Percy, em Clamart, para se recuperar dos ferimentos nas duas pernas.

O Rali Dakar já foi cancelado uma vez em 2008, quando quatro turistas foram mortos na Mauritânia dias antes de o evento começar. O trajeto, na ocasião, deveria ser de Portugal a Senegal. No entanto, preocupações com possíveis ataques terroristas que visavam competidores fizeram com que a 30ª edição fosse cancelada.

O cancelamento da prova determinou o fim de um ciclo do Dakar. A partir de 2009, o maior rali do mundo passou a ser disputado na América do Sul, tendo como palcos principais Argentina, Chile e Peru, mas com passagem também por Paraguai e Bolívia. Desde 2020, a competição é realizada na Arábia Saudita, que assinou contrato de cinco anos com a ASO.

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

Grande Prêmio
Publicidade
Publicidade