Vettel usa capacete em apoio à Ucrânia nos testes da F1
Novo design é predominante branco, com a grafia com as cores da bandeira ucraniana e exibe elementos e mensagens que clamam pelo fim da guerra no leste europeu
Não é somente nos carros que foram apresentadas novidades no primeiro dia da sessão de testes de pré-temporada da Fórmula 1 no Bahrein. Em sinal de protesto contra a guerra na Ucrânia, Sebastian Vettel mudou o design do capacete, que agora é predominante branco, com as cores da bandeira da Alemanha substituídas pelo azul e amarelo da flâmula da Ucrânia e elementos com mensagens de paz para o país do leste europeu.
Além da mudança na coloração e a troca de bandeiras, o novo casco do piloto da Aston Martin traz mensagens e elementos de paz. Na área superior, o capacete exibe um trecho da música Imagine, de John Lennon, que é uma das canções mais famosas no mundo e que visualiza um mundo em paz, sem barreiras nas fronteiras ou divisões de religiões, nacionalidades e considera a possibilidade de que o foco da humanidade deveria estar em viver uma vida desapegada de bens materiais.
Na lateral, o capacete apresenta mais elementos que pedem o fim da guerra na Ucrânia. De um lado, o material tem a grafia de uma pomba, com contornos em azul e, do outro, a mensagem "No War" [sem guerra, em português] em letras maiores. A descrição é a mesma divulgada durante o protesto organizado pelos pilotos no circuito de Sakhir.
O protesto foi organizado pela Associação dos Pilotos e reuniu quase todo o grupo de pilotos. Entre os titulares do grid de 2022, as únicas ausências foram as de Kevin Magnussen, que ainda não tinha sido anunciado pela Haas, e Lewis Hamilton, que postou nas redes sociais que se atrasou, mas manifestou apoio ao movimento e pediu doações para ajudar a população ucraniana.
Após a fotografia, os pilotos fizeram um post quase que simultâneo nas redes sociais, onde pediam em uníssono o fim da guerra.
"Nós, os pilotos da F1, estamos ao lado das pessoas na Ucrânia por paz e liberdade. Por favor, SEM GUERRA", escreveram.
Há 15 dias, a Ucrânia tenta resistir à invasão russa a seu território. Apesar de o ocidente já ter aplicado inúmeras e cada vez mais duras sanções econômicas para tentar conter o exército de Vladimir Putin, a ofensiva militar fica cada vez mais violenta.
De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 2,1 milhões de pessoas já fugiram da Ucrânia. Na quarta-feira, bombas atingiram uma maternidade em Mariupol, no sudoeste do país, deixando ao menos 17 feridos, incluindo funcionários e parturientes. Desde o início da guerra, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já contabilizou 18 ataques contra unidades de saúde.
Depois dos primeiros dias de testes em Barcelona, a Fórmula 1 retoma as atividades para a temporada 2022. O palco agora é o Bahrein, que sedia também a primeira corrida do campeonato, em 20 de março. Serão mais três dias de trabalhos no circuito de Sakhir, entre 4h e 13h (de Brasília). A maior categoria do esporte a motor vive uma revolução técnica neste ano. Na tentativa de melhorar o espetáculo e equilibrar as forças do grid, a F1 aposta no conceito do efeito-solo - configuração aerodinâmica usada já no fim dos anos 1980. Mas que vem desenhada.
Além de toda a expectativa envolvendo o novo regulamento, o Mundial também espera uma revanche entre Max Verstappen e Lewis Hamilton. Os dois pilotos travaram uma dura batalha pelo título em 2021 e a tendência é que a briga siga mais uma vez, mas agora com outros elementos.