Nada será como antes na F1 2026 e pouca gente percebeu
Mesmo com os testes iniciais restritos e as informações disponíveis, muitos não tem ideia da extensão das mudanças drásticas da F1 2026
Os primeiros testes em Barcelona, mesmo feitos a portas fechadas, já deram mostras que a F1 2026 será muito mais diferente do que se esperava. Mas além dos carros, que aparentemente caíram no gosto do público, um ponto a se observar é a fala dos pilotos.
Na F1 atual, qualquer fala é envolta em um grande trabalho de Relações Públicas. Mas podem se observar coisas muito interessantes daqui e dali...
Um ponto que chamou a atenção foi uma fala de Lando Norris sobre o comportamento do carro. O britânico fez um comparativo com seu carro de F2 de 2018. Isso foi interpretado (erroneamente) por alguns como um ponto de que o modelo deste ano era mais lento do que os anteriores.
Porém, vendo todo o contexto, Norris apontou que a semelhança era pelo fato do carro ser menor, mais arisco e não ter tanta pressão aerodinâmica, o que deixava a pilotagem mais prazerosa do que antes. Lewis Hamilton fez comentários neste sentido, apontando que o carro era melhor do que a geração anterior.
Este era um aspecto que vários pilotos reclamavam da geração da F1 22/25. Por conta do efeito solo, a pilotagem acabava sendo um tanto quanto limitada, como se o carro estivesse sobre trilhos. Isso também era ocasionado pela receita de acerto que os carros tinham que ter, especialmente em termos de suspensão, com os carros baixos e com cargas de molas duras, para quase não oscilarem e assim poder gerar o máximo de pressão possível através dos tuneis do assoalho.
Outro ponto que vai impactar diretamente a F1 2026 é a dinâmica de prova. Além dos carros mais “nervosos”, os pilotos terão que administrar o uso dos modos aerodinâmicos (abertura de asas) e o modo ultrapassagem. A gestão do modo elétrico será determinante e quem entender isso mais rapidamente, se dará melhor.
Não é à toa que os times terão de rever vários de seus parâmetros para poder usar em seus simuladores e apoiar, não somente os pilotos, mas como os próprios engenheiros e técnicos, a como agir. Não são poucas as falas de que veremos ultrapassagens em locais em que não estamos acostumados justamente pela liberdade de usar energia e de como recarregar as baterias.
Até o momento, a impressão que se dá é que tanto o público quanto a própria imprensa especializada e geradores de conteúdo não tem total noção de quanto a F1 mudará em 2026. Como até colocado em um bate papo em que estive junto com os colegas Rodrigo Mattar e Felipe Meira, esta é a maior mudança da F1 em termos técnicos. E terá MUITO impacto na dinâmica de prova.
Não será somente pelo fato de vermos carros reduzindo marcha no meio de reta. Mas por aparecer carro acelerando em meio de curva ou talvez vejamos na F1 algo que é comum na Fórmula E: corrida de bloco, com carros segurando ritmo para poupar energia, aproveitar vácuo para poupar combustível e energia... E ainda tem a dúvida de como os pneus irão se comportar diante do uso da potência, já que, caso se use mais aceleração em curva, vai exigir mais aderência do pneu, bem como a deformação da carcaça... Os testes de Barcelona foram os primeiros em que a Pirelli realmente teve a chance de andar em um F1 feito para este regulamento (os testes foram com carros adaptados, lembram-se?).
As respostas começarão a ser dadas em Melbourne. Um quadro melhor deverá ser dado por volta da 5ª etapa, com todos tendo uma melhor dimensão do quadro. E esta busca de limites será algo muito interessante de se ver.
Todos os envolvidos terão que ter o pensamento aberto para entender esta nova F1. Como já disseram Beto Guedes e Milton Nascimento, nada mais será como antes.