F1: Vasseur aponta Hamilton como um “choque” positivo para o sistema da Ferrari
Em entrevista, o chefe da Ferrari vê experiência do heptacampeão como um diferencial para a equipe
A chegada de Lewis Hamilton à Ferrari não trouxe apenas um novo piloto para Maranello. Para Fred Vasseur, a presença do heptacampeão mundial também representou uma oportunidade de mexer com estruturas e processos que estavam consolidados dentro da equipe italiana.
Em entrevista exclusiva à Autosport, o chefe da Ferrari reconheceu que a adaptação de Hamilton provocou uma espécie de choque no funcionamento da escuderia, mas avaliou que esse impacto pode ser justamente um dos fatores importantes para o crescimento do time.
Aos 41 anos, Hamilton chegou à Ferrari depois de uma longa passagem pela Mercedes, onde viveu mais de uma década em um ambiente de alto nível de engenharia e conquistou seis de seus sete títulos mundiais. Segundo Vasseur, trazer alguém com essa experiência permite à equipe enxergar seus próprios problemas por uma perspectiva diferente.
"É bom mexer um pouco com o sistema. Se você passa a vida inteira dentro da mesma bolha, com as mesmas pessoas, em algum momento terá dificuldades para evoluir."
O francês explicou que a experiência adquirida por Hamilton na Mercedes ajuda a Ferrari a questionar procedimentos e identificar áreas que poderiam ser melhoradas. Para Vasseur, incorporar conhecimentos vindos de outras equipes pode representar uma vantagem, desde que essas novas ideias sejam encaradas como uma contribuição, e não como uma ameaça à estrutura existente.
A influência de Hamilton, porém, não se resume a sugestões. Durante sua primeira temporada em Maranello, o britânico teve dificuldades para se adaptar ao novo ambiente, especialmente porque estava acostumado a métodos diferentes de trabalho. Entre as mudanças discutidas estiveram ajustes na estrutura de engenharia e até na configuração dos freios.
Vasseur admitiu que nem todos os pedidos do piloto puderam ser atendidos. O francês explicou que algumas propostas não são viáveis diante da complexidade de uma organização com mais de mil funcionários e das limitações impostas pelo teto orçamentário da Fórmula 1.
Ainda assim, o chefe da Ferrari considera valioso entender quais pontos fazem Hamilton acreditar que a equipe pode ser melhor.
"Às vezes, eles não têm uma visão completa da situação, mas é bom para mim entender onde eles sentem que somos fracos. E, algumas vezes, com a contribuição deles, você entende algo porque estava concentrado na visão da equipe e percebe que, para os pilotos, é um pouco diferente."
Vasseur também destacou que Hamilton e Charles Leclerc têm papel ativo na construção do futuro da Ferrari. Na visão do chefe da equipe, um dos principais atributos de um piloto não está apenas no desempenho durante os finais de semana, mas também na capacidade de contribuir para o desenvolvimento da equipe.
Para ele, a troca constante de informações entre pilotos, engenheiros e dirigentes é fundamental para que a Ferrari avance.
"Não estou sempre certo. Também não estou sempre errado. É apenas através da colaboração, da discussão e da troca que vamos melhorar."
Assim, mais do que representar uma mudança na dupla de pilotos, Hamilton passou a exercer dentro da Ferrari a influência de alguém que conhece, por experiência própria, como funciona uma equipe capaz de disputar títulos. E é justamente esse conhecimento externo que Vasseur vê como uma ferramenta para acelerar a transformação de Maranello.
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