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Fórmula 1

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F1: FIA culpa resistência das montadoras por problemas do regulamento de 2026

Diretor da FIA diz que tentou evitar falhas nas novas regras, mas quatro fabricantes bloquearam mudanças antes do início da temporada

4 ago 2026 - 12h01
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Foto: F1 / Reprodução

A FIA rebateu as críticas feitas por pilotos sobre o regulamento de 2026 da Fórmula 1 e afirmou que já previa boa parte dos problemas relatados, mas que suas tentativas de ajustar as regras antes do início da temporada esbarraram na resistência das montadoras de motores. O diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis, disse que a governança estabelecida para o novo ciclo de regulamentos impediu mudanças unilaterais por parte da FIA.

As críticas ganharam força após o Grande Prêmio da Bélgica, quando carros com gerenciamento de energia limitado tiraram parte do brilho de um dos traçados mais tradicionais do calendário. O diretor da Associação de Pilotos de Grande Prêmio, Carlos Sainz, questionou por que ninguém reagiu ao ver as simulações já em 2022 e 2023. Lewis Hamilton também criticou a decisão, dizendo não saber quem a tomou, mas destacando que essa pessoa segue no cargo.

Segundo Tombazis, a FIA tentou fazer ajustes nos dois anos anteriores ao início da temporada 2026, incluindo uma proposta no início deste ano para reduzir a potência máxima de utilização em corrida para 200kW, mas a ideia foi descartada. Ele afirmou que os pilotos são clientes exigentes por natureza e que já era esperado algum nível de insatisfação, já que muitas mudanças sugeridas pela FIA não avançaram por falta de apoio suficiente.

O entrave, segundo o dirigente, está ligado ao comitê consultivo criado para equilibrar os interesses das montadoras que já competiam na F1 com as que chegariam a partir de 2026. Qualquer alteração relevante nas regras dependia da aprovação da FIA, da Fórmula 1 e de pelo menos quatro das cinco montadoras da época, um critério que Tombazis considera necessário para manter igualdade entre marcas veteranas e novatas, mas que também limitou a capacidade da FIA de agir sozinha. Ele lembrou que mesmo montadoras fora da disputa direta, como a Audi, precisavam se submeter às mesmas regras financeiras e operacionais, o que justificava esse modelo de governança mais rígido.

Diante da pressão gerada logo nas primeiras corridas do ano, a F1 acabou introduzindo medidas emergenciais de gerenciamento de energia a partir do GP de Miami, em maio. Também foi definido um cronograma para reduzir gradualmente a proporção de energia elétrica em relação ao motor a combustão, migrando do atual equilíbrio de 50/50 para 60/40 até 2028. Tombazis reconheceu certo desconforto pelo fato de essas discussões só terem avançado depois que os problemas já haviam aparecido nas pistas, e disse acreditar que o pacote de mudanças poderia ter sido fechado alguns anos antes.

Apesar das falhas no regulamento, o dirigente da FIA avalia que o espetáculo esportivo não foi prejudicado de forma significativa. Ele destacou que, diferentemente de outras eras regulatórias recentes, não houve domínio total de uma única equipe ou montadora logo no início do novo ciclo. Mesmo com a Mercedes à frente na maioria das vitórias, as corridas têm mantido disputas intensas e trocas de posição, o que, para Tombazis, mostra que a FIA acertou ao ouvir as demandas dos pilotos sem perder de vista o interesse do público pelo espetáculo.

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