F1 2026: Entenda como mudanças no regulamento podem acabar com "ultrapassagens não intencionais"
Além de melhorar a segurança, ajustes nas novas regras de 2026 podem resolver outro problema que vem atormentando pilotos
Na semana passada, mudanças no regulamento de 2026 da Fórmula 1 foram acordadas, embora ainda não ratificadas pelo Conselho Mundial de Automobilismo da FIA. Um dos objetivos principais desses ajustes seria controlar o problema das velocidades de aproximação, que demonstrou ser um problema perigoso para os pilotos. Além de garantir melhor segurança na pista, essas novas alterações podem acabar com "ultrapassagens não intencionais”.
Os perigos de um carro se aproximar de outro a uma velocidade inesperadamente alta foram ilustrados recentemente em Suzuka, onde Oliver Bearman teve de fazer uma manobra evasiva para evitar a Alpine de Franco Colapinto, que estava mais lento. O piloto da Haas acabou rodando e colidindo violentamente contra o muro.
Apesar de Bearman ter culpado Colapinto posteriormente, o incidente foi causado principalmente pela diferença de energia elétrica entre os carros, que fez com que o britânico se aproximasse muito mais rápido do que o esperado.
Nesse contexto, é esperado que as medidas para alterar o regime de acionamento elétrico não só eliminem alguns riscos de segurança, como também contribuam para a redução das chamadas "ultrapassagens não intencionais", mencionadas por alguns pilotos. Entre eles, o atual campeão mundial, Lando Norris, que teve de tirar o pé do acelerador para evitar bater na traseira de Lewis Hamilton na curva 130R e, ao pisar novamente no acelerador, ganhou muito mais potência do que esperava. Isso resultou em uma rápida perda de bateria e fez com que ele perdesse a posição logo depois de ultrapassar Hamilton, devido à diferença nos níveis de carga.
"As ultrapassagens não intencionais também estão relacionadas às velocidades de aproximação", explicou Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, para a imprensa. "E acreditamos que as medidas que tomamos para ajustar o nível de aumento de potência e o nível de ganho em certas partes do circuito contribuem, em certa medida, para solucionar esse problema”.
As mudanças envolvem ajustes no uso de energia, com aumento do superclipping e redução do limite na classificação, buscando melhorar o espetáculo das voltas rápidas e tornar a pilotagem mais natural e segura. Também houve um remapeamento da distribuição de energia ao longo da volta, mantendo 350 kW nas zonas de aceleração e limitando a 250 kW no restante, além de restringir o modo boost em corrida a 150 kW. Por fim, foram feitas alterações nos modos de potência limitada, que controlam como a energia elétrica é distribuída fora dessas zonas principais.
Algumas particularidades, como as ultrapassagens não intencionais, resultaram das medidas tomadas para evitar que os carros fiquem sem bateria nas retas, o que também poderia causar problemas de segurança em trechos de corrida com carros agrupados. Entre essas soluções provisórias está o processo de redução gradual da potência elétrica, em vez de deixá-la descarregar frequentemente.
Outra estratégia adotada envolve dividir os circuitos: em trechos onde o uso de energia elétrica traz mais ganho de desempenho, especialmente na saída de curvas, e em outros onde o impacto é menor, como nas retas mais longas. Para isso, as equipes utilizam algoritmos que programam o carro para entrar nas áreas com potência limitada, tendo como referência o padrão de uso do acelerador com intensidade por determinado período. Contudo, sair desse modelo pode causar efeitos indesejados; foi o caso de Norris no Japão e Charles Leclerc na China, que, ao tirarem o pé do acelerador fora do previsto, reativaram o sistema de forma prejudicial.
O site Motorsport.com apurou que foi acordado que os carros agora entrarão no modo de potência limitada independentemente de o piloto aliviar o acelerador ou não.
Mesmo que isso ajude, é a quantidade de potência que exerce maior influência nas velocidades de aproximação e nas ultrapassagens não intencionais. Então, as próximas corridas servirão como um estudo de caso para determinar se os níveis escolhidos têm o efeito desejado ou se precisarão ser alterados novamente.
Tombazis foi categórico ao afirmar que é um ajuste gradual e baseado em dados. Destacou que a FIA acredita estar dando um passo significativo na direção certa e ressaltou a necessidade de acompanhar os resultados nas próximas etapas para avaliar se as medidas serão suficientes ou se novas mudanças precisarão ser implementadas. Ele também acrescentou que a FIA está aberta a manter o diálogo com a Gestão da Fórmula 1, os pilotos e os fãs da categoria.
"O fato de termos tido uma pausa significou que pudemos nos concentrar nessas discussões sem termos que competir a cada dois fins de semana. Isso não significa que essas discussões não possam continuar”, declarou Nikolas Tombazis.
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