Comissão de Ética vê plágio "inequívoco e recorrente" ao GRANDE PRÊMIO e pune jornalistas do Estadão
Comissão de Ética do SJSP (CE) avalia que jornalistas envolvidos na violação ao direito autoral têm responsabilidade concorrente e devem sofrer as penalidades previstas no CEJB
A Comissão de Ética dos Jornalistas do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo emitiu nesta segunda-feira (23) um parecer sobre o plágio praticado por 'O Estado de S.Paulo' sobre o conteúdo do GRANDE PRÊMIO, fato considerado pelos próprios advogados do jornal como o "maior caso de plágio da história do jornalismo brasileiro". De acordo com a CE, "a ocorrência de plágio é inequívoca e recorrente" e "trata-se de flagrante infração ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (CEJB)".
Entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, o 'Estadão' plagiou, segundo contagem feita pelo GRANDE PRÊMIO, 47 matérias, em sua grande maioria ipsis litteris. Estas reportagens foram publicadas no site do jornal, assinadas como 'da Redação', e reaproveitadas pela 'Agência Estado' para fornecimento de conteúdo aos parceiros da instituição. No total, 56 parceiros reproduziram 901 matérias do GP.
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Após denúncia feita pelo GRANDE PRÊMIO, a Comissão de Ética deu início a oitivas dos jornalistas do 'Estadão' envolvidos no caso. Não foram citados os nomes dos jornalistas ouvidos. A CE avaliou, de início, que "não obstante o grave desvio ético, esta comissão se recusa a individualizar a responsabilidade pela prática do plágio, entendendo-o como produto de uma cadeia de responsabilidades em relação direta com a precarização da produção jornalística e a decorrente degradação das condições de trabalho dos jornalistas da Agência Estado".
Segundo a CE, "o depoimento do editor, assim como o do repórter, deixa evidente, que a instituição não garantiu condições para que a equipe de trabalhadores pudesse cumprir etapas básicas do bom jornalismo: de um lado, a redução da equipe ao longo dos anos; de outro, a exigência da produção de cada vez mais conteúdo, em prazos reduzidos, resultando em profissionais acumulando funções, jornadas extenuantes, conteúdos publicados sem adequada checagem ou edição e produções de baixa qualidade".
O entendimento da Comissão de Ética foi de que o 'Estadão' "contribuiu ativamente para a violação de vários pontos do CEJB por parte dos jornalistas que participaram do processo de produção de notícias no caso analisado".
Ao assinar as matérias plagiadas do GRANDE PRÊMIO como 'da redação', a CE avaliou que a medida do 'Estadão' "se insere no conjunto de práticas precarizadas" e que "textos apócrifos implicam responsabilidade direta da empresa jornalística", com grifo da própria Comissão.
A Comissão disse que o depoimento do editor do 'Estadão' "é elucidativo ao informar que não havia qualquer controle preventivo à ocorrência de plágio antes do episódio" com o GRANDE PRÊMIO, já que, "na prática, os conteúdos eram publicados sem passar pelo crivo do editor e ficando sob responsabilidade de um único profissional: o repórter". A CE advertiu que se trata de "uma rotina que foge do padrão de controle da qualidade da informação do que pode ser chamado de critérios jornalísticos".
No entanto, a Comissão alertou que "após o ocorrido, tampouco houve a mudança desse cenário e a institucionalização dos controles que possam evitar novas infrações, apenas uma conversa informal sobre a impropriedade da prática". "Esta CE considera as medidas tomadas amplamente insuficientes", concluiu.
Diante do caso de plágio ao GRANDE PRÊMIO, a Comissão de Ética disse que "é evidente (…) que os jornalistas envolvidos na violação ao direito autoral têm responsabilidade concorrente e devem sofrer as penalidades previstas no CEJB (Código de Ética do Jornalismo Brasileiro). De acordo com o Art. 17, parágrafo único, aplicou três penalidades:
_ impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato ao repórter autor do plágio, já que o mesmo não é filiado;
_ advertência ao editor da 'Agência Estado';
_ advertência ao diretor de redação do 'Estadão'.
Victor Martins, Diretor Executivo do GRANDE PRÊMIO, afirmou que o parecer da Comissão de Ética do SJSP corrobora a gravidade do caso. "A análise da CE é cristalina ao apontar que se tratou de uma conduta sistemática do 'Estadão' através dos profissionais envolvidos, mas chama a atenção o fato de que, mesmo com o fato consumado, pouco a instituição fez para que não seja repetido. Quem garante que foi só o GP o alvo de plágios?", questionou o jornalista. "É espantoso como um veículo de comunicação com 150 anos de existência, com ostentada grandeza nacional, admita que não dispõe de condições humanas e/ou tecnológicas para evitar a cópia de material alheio. Mas considerando a postura do jornal - e de alguns dos parceiros -, no fim das contas, o espanto se esvai rapidamente", completou.
Diretora de Conteúdo do GRANDE PRÊMIO, Evelyn Guimarães salientou a importância da decisão da Comissão de Ética. "Esta não só é uma consequência importante dentro do processo que o GP move contra o Estadão, mas também é um primeiro passo para deixar claro que essas graves ações não vão ficar impunes. É chocante perceber o modo de 'trabalho' da redação de um veículo como o 'Estadão'. Mas que sirva também de lição, especialmente diante do momento em que o país atravessa, depois de anos de um governo que atacou e jamais respeitou o papel da imprensa", declarou.
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
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