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Atletismo

Pistorius, o "Blade Runner" sul-africano, acusado pelo assassinato da namorada

14 fev 2013 - 14h40
(atualizado às 16h39)
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Oscar Pistorius, conhecido como "Blade Runner" por ser o primeiro atleta deficiente físico a ter disputado uma edição dos Jogos Olímpicos, no ano passado em Londres, deixou as páginas de esportes e passou para as manchetes depois de matar sua namorada na madrugada desta quinta-feira, dia de São Valentim.

Estrela em seu país, lenda do atletismo mundial e exemplo para milhões de pessoas, Pistorius comparecerá na sexta-feira diante do Tribunal de Pretória, anunciou à AFP um porta-voz do Ministério Público, Medupe Simasika, informando que a audiência terá início às 09h00 locais (05h00 de Brasília).

Anteriormente, um porta-voz da polícia de Pretória, Katlego Mogale, havia anunciado que Pistorius havia sido acusado por um crime de assassinato, o que excluía a hipótese da morte acidental, como se pensou no início, quando se informou que o atleta havia confundido sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, de 30 anos, com um ladrão.

A vítima "foi atingida pelos quatro tiros, na cabeça e na mão", informou à AFP Denise Beukes, outra porta-voz da polícia.

A vítima morreu na hora, de acordo com a polícia.

A porta-voz informou que a arma do crime é "uma pistola 9mm" e que está "registrada em nome do senhor Pistorius".

Outra porta-voz anunciou a uma rede de televisão local que o promotor pretende negar a possibilidade de libertação sob fiança, alegando "precedentes de denúncias por brigas domésticas na residência do acusado".

"A única pessoa que pode contar o que aconteceu é o próprio Oscar", afirmou Henke Pistorius, pai do atleta, por telefone à AFP.

"Neste momento, ainda não temos muitas informações", acrescentou. "Não o vi, está com a polícia e o caso está nas mãos das autoridades. Evidentemente estamos chocados".

Os investigadores ainda não puderam estabelecer a hora exata do crime e a única certeza é que "a polícia foi alertada sobre o incidente às 04h00 (00h00 de Brasília) por alguns vizinhos" da residência na qual o atleta vivia, um complexo de pequenas casa de dois andares, rodeadas de palmeiras e de uma cerca elétrica, explicou Beukes.

Embora o atleta nunca tenha escondido sua predileção por armas, seus vizinhos ainda pensavam em um possível acidente.

"Para ser sincero, sempre houve rumores relacionados a Oscar, mas na maioria das ocasiões eu atribui (os rumores) a sua fama. Pelo que sei, é uma pessoa boa e bastante desconectada do bairro. Acredito que é possível que seja, de fato, inocente", afirmou um deles, Kyle Wood, de 25 anos.

Pistorius, o atleta sul-africano conhecido como "Blade Runner" por correr com duas próteses de fibra de carbono, entrou para a história do atletismo mundial nos Jogos Olímpicos de Londres, ao ser o primeiro campeão paralímpico a participar em uma edição de Jogos Olímpicos.

O atleta chegou às semifinais de sua prova favorita, os 400 metros.

Semanas mais tarde, conquistou o ouro na mesma prova nos Jogos Paralímpicos. Quatro anos antes, em Pequim-2008, Pistorius conquistou três medalhas de ouro: nos 100, 200 e 400 metros.

Sua notoriedade levou o canal M-Net Movies a escolhê-lo para seus anúncios de fevereiro, com o slogan "Cada noite é uma noite de Oscar". A campanha foi imediatamente suspensa "por respeito e simpatia em relação às pessoas em luto", anunciou o canal sul-africano em uma mensagem pelo Twitter.

Pistorius nasceu sem o perônio e foi submetido a uma operação de amputação abaixo dos joelhos aos 11 meses.

Pistorius aprendeu a caminhar com próteses e sempre teve o desejo de enfrentar atletas sem deficiência em competições. Ele optou pelo atletismo aos 16 anos, depois de ter sofrido uma lesão em uma partida de rúgbi.

Seu preparador físico, Jeannie Brooks, explicou à AFP em agosto do ano passado que trabalhou com Pistorius durante seis meses antes de perceber que ele tinha as duas pernas amputadas.

"Quando começou, estava no início do inverno e os garotos sempre vinham de calças compridas. Tinha exatamente a mesma velocidade dos outros, nunca apresentou uma desculpa para evitar um exercício, dava tudo", recordou.

"Trabalhávamos duro para melhorar a explosão e uma vez, fazendo um exercício, vi que não abaixava tanto como os outros", lembrou Brooks.

"Eu disse: 'Escuta, você tem que abaixar um pouco mais' e ele respondeu: 'Escuta, isto é o máximo que posso fazer'. Perguntei o motivo e ele falou: 'Vou te contar a minha história...".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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