Apesar de todos os seus recordes, Cristiano Ronaldo não conseguiu decifrar a Copa do Mundo
Cristiano Ronaldo passou mais de duas décadas decidindo jogos, levando times a superar momentos difíceis e desafiando o próprio tempo para permanecer entre a elite do futebol, mesmo depois do auge de sua carreira pelo Real Madrid, pelo Manchester United e pela Juventus.
No entanto, o único prêmio que sempre lhe escapou permaneceu fora de alcance nesta segunda-feira, quando o jogador de 41 anos se despediu de sua sexta Copa do Mundo com lágrimas nos olhos, após a derrota de Portugal por 1 x 0 para a Espanha nas oitavas de final.
As esperanças de Portugal chegaram ao fim de forma dolorosa quando Mikel Merino marcou aos 46 minutos do segundo tempo, garantindo a vitória espanhola em Arlington, um dia depois de um Ronaldo descontraído anunciar que esta seria sua última Copa do Mundo.
Ao deixar uma entrevista coletiva sob aplausos dos jornalistas no domingo, ele insistiu que não tinha arrependimentos em uma carreira que ultrapassou os limites da longevidade.
O técnico de Portugal, Roberto Martínez, elogiou sua dedicação ao futebol após a partida, descrevendo-o como um ícone do esporte.
"Sempre seremos gratos pelo que ele tentou fazer nesta Copa do Mundo, porque o sonho era ganhar a Copa do Mundo e ele tentou, dando um exemplo incrível de liderança como capitão", disse Martínez.
"Este não é o momento de ir além do que estamos discutindo: um ícone do futebol. Não há muitos Cristiano Ronaldos."
27 PARTIDAS, 11 GOLS
O histórico de Ronaldo na Copa do Mundo inclui 27 partidas e 11 gols. Apropriadamente, seu único gol no mata-mata saiu na semana passada e ajudou Portugal a eliminar a Croácia, mantendo vivo, por um breve momento, o sonho que o acompanhou desde sua estreia em 2006.
Aquela primeira Copa do Mundo também foi a sua melhor campanha. Aos 21 anos, Ronaldo fez parte da seleção de Portugal que chegou às semifinais antes de ser derrotada pela França.
Nas quartas, ele converteu com calma o pênalti decisivo da disputa contra a Inglaterra, um momento que ainda vive na memória dos portugueses e que, na época, parecia o prenúncio de triunfos ainda maiores. Eles, porém, não vieram.
Durante grande parte de sua carreira internacional, Ronaldo parecia carregar o peso das ambições de Portugal sobre os ombros.
Mas o cenário mudou com o surgimento de uma nova geração de talentos e, neste torneio, persistiram as dúvidas sobre se ele ainda deveria ser titular absoluto.
Contra a Espanha, o veterano jogou os 90 minutos completos e deu três finalizações, mas não conseguiu criar uma oportunidade decisiva.
Os adversários prestaram homenagem a um dos grandes nomes do futebol, que teve provavelmente sua melhor atuação em uma Copa do Mundo contra a Espanha em 2018: três gols no empate de 3 x 3 na fase de grupos, que incluiu uma cobrança de falta brilhante aos 43 minutos do segundo tempo.
"Sou um grande admirador dele, de seus valores, do que ele representa, de como ele encara o esporte, e acho que ele é um exemplo a ser seguido pelos jovens", disse o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, após a partida.
"Sempre que temos a chance de estar juntos, reconhecemos nossa admiração mútua e o orgulho que sentimos por conhecê-lo."
RIVALIDADE COM MESSI
Ronaldo evitou, em grande parte, perguntas ao longo do torneio sobre comparações com Lionel Messi. Ainda assim, à medida que sua história na Copa do Mundo chega ao fim, o contraste é difícil de ignorar. A rivalidade entre os dois definiu uma era, mas nunca se estendeu totalmente ao palco da Copa do Mundo.
Messi levou a Argentina à final de 2014 e, em seguida, alcançou a glória máxima ao conquistar o título em 2022, enquanto as campanhas de Ronaldo terminaram repetidamente em frustração.
Havia, no entanto, a possibilidade de um confronto nesta Copa do Mundo.
Se Portugal tivesse liderado seu grupo em vez de terminar atrás da Colômbia, e se ambas as seleções continuassem avançando, Ronaldo e Messi poderiam ter se enfrentado nas quartas de final.
"Seria o máximo", disse Ronaldo sobre o possível confronto depois de marcar dois gols na goleada de 5 x 0 de Portugal sobre o Uzbequistão na fase de grupos, seu melhor desempenho no torneio na América do Norte.
Para um jogador que conquistou praticamente todos os outros desafios que o esporte poderia oferecer, essa sensação do que poderia ter acontecido acompanhará a despedida de Ronaldo da Copa do Mundo.
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