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Alvo de racismo, Balotelli pede Itália "mais aberta"

Jogador pediu que país se esforce para integrar imigrantes

4 jun 2018
09h27
atualizado às 09h54
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Após ser vítima de racismo no amistoso entre Itália e Arábia Saudita Mario Balotelli, pediu neste domingo (3) que a sociedade italiana seja "mais aberta" e "capaz de integrar" pessoas de outros países.

Filho de imigrantes ganeses, o jogador de 27 anos nasceu em Palermo, no sul da Itália, e foi criado por pais adotivos. No amistoso diante da Arábia Saudita, que marcou seu retorno à "Azzurra" depois de quatro anos, a torcida italiana estendeu uma faixa que dizia: "meu capitão é de sangue italiano", em uma clara ofensa ao atacante do Nice e da seleção.

Alvo de racismo, Balotelli pede que Itália 'seja mais aberta'
Alvo de racismo, Balotelli pede que Itália 'seja mais aberta'
Foto: EPA / Ansa

"O racismo dói muito, é irritante. Estou aqui para marcar gols, e você também pode ser um exemplo sem usar a braçadeira", disse Balotelli, que, por ser um dos jogadores mais experientes do elenco da seleção italiana, era cotado para ser o capitão da "Azzurra".

Ainda segundo o atacante, caso seja capitão da Itália, pode ser "um sinal para todos os imigrantes", que, como seus pais, "chegam e veem alguém como eu, originário da África, se tornar o capitão" da seleção italiana.

Atacante está de volta à seleção após quatro anos
Atacante está de volta à seleção após quatro anos
Foto: EPA / Ansa

O novo ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, afirmou que ficaria "surpreendido" caso Balotelli se torne o capitão do time.

"O capitão deve ser representativo e jogar bola muito bem, ele não deve ser negro ou branco. Espero que o capitão seja escolhido para isso. Talvez Balotelli vá me surpreender, mas, nos últimos anos, dentro e fora do campo, eu não acho que ele é uma daquelas pessoas humildes, capaz de se juntar ao time", disse Salvini, do partido Liga Norte, conhecido por suas posições nacionalistas.

Balotelli não era convocado para a seleção italiana desde a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O atacante do Nice, da França, voltou à Itália após a chegada do técnico Roberto Mancini. Na vitória diante da Arábia Saudita, por 2 a 1, "Super Mario" foi o autor do primeiro gol da "Azzurra".

Nesta segunda-feira (4), a Itália entra novamente em campo, desta vez para encarar a Holanda, em Turim. Ao contrário dos últimos dois amistosos, Balotelli não começará jogando. O ataque da seleção italiana deverá ser composto por Simone Verdi, Andrea Belotti e Lorenzo Insigne.

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Ansa - Brasil   

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