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Zuckerberg cria divisão para tornar Meta uma gigante de infraestrutura para IA

Com a previsão de investir US$ 600 bilhões, criação da Meta Compute gera preocupação entre investidores

24 jan 2026 - 17h24
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O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usou o próprio perfil no Threads há duas semanas para anunciar a Meta Compute, uma "iniciativa de alto nível" liderada pelos executivos mais graduados da empresa.

Ao fazer isso, ele enfatizou o compromisso da Meta em ser uma gigante da infraestrutura para IA — e sinalizou que a empresa não pretende ser apenas uma coadjuvante na corrida pela construção de data centers.

A nova organização pretende garantir o poder computacional necessário para atingir o objetivo da empresa de construir modelos de IA que levem à "superinteligência". Essa capacidade é medida em gigawatts, que poderiam abastecer centenas de milhares de residências.

"A Meta planeja construir dezenas de gigawatts nesta década, e centenas de gigawatts ou mais ao longo do tempo", escreveu Zuckerberg. "A forma como projetamos, investimos e formamos parcerias para construir essa infraestrutura se tornará uma vantagem estratégica."

Estrutura da Meta Compute

Sob a nova estrutura, Zuckerberg afirmou que o executivo veterano da Meta, Santosh Janardhan, continuará a chefiar a área de arquitetura técnica, software, chips customizados e a operação diária da vasta rede de data centers.

Enquanto isso, Daniel Gross — uma das grandes contratações que a Meta fez no ano passado, cofundador da Safe Superintelligence com o ex-cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever — liderará um novo grupo focado no longo prazo: quanto poder computacional a Meta precisará daqui a anos, onde ele deve ser construído, como garantir chips e energia escasso, e como modelar o impacto financeiro dessas apostas.

Zuckerberg também anunciou uma nova presidente e vice-presidente do conselho da Meta, Dina Powell McCormick, para trabalhar no desenvolvimento de parcerias com governos para financiar e implantar data centers ao redor do mundo. Ela foi anteriormente conselheira adjunta de segurança nacional para estratégia do presidente Trump.

Meta corre atrás do prejuízo

Para alguns observadores, o anúncio da Meta Compute foi intrigante. Afinal, a Meta já é uma gigante da infraestrutura. Faz um ano que a empresa iniciou as obras em seu site Hyperion — um campus de data centers de 370 mil metros quadrados no nordeste da Louisiana.

Zuckerberg disse ao presidente Donald Trump que o empreendimento é comparável ao tamanho da parte baixa de Manhattan. Por que, então, a Meta de repente precisou declarar uma nova organização para fazer o que já parecia estar fazendo em escala histórica?

"Isso foi meio confuso, eu não entendi no começo", disse Patrick Moorhead, fundador e analista-chefe da Moor Insights and Strategy. Ele sugeriu que a mensagem sobre a Meta Compute era voltada para investidores e funcionários, sinalizando que a Meta continua sendo uma competidora séria em um clube liderado por Microsoft, Google, Oracle, OpenAI e xAI. "É a Meta dizendo: 'Aqui está a nossa estratégia para implementar isso'", afirmou.

Rick Pederson, da Bow River Capital, concordou que o anúncio responde a uma percepção crescente entre analistas de mercado de que a Meta está tentando alcançar Google e OpenAI na corrida da IA.

"Foi uma forma de discutir o foco deles, a intencionalidade em torno da expansão da capacidade computacional e infraestrutura", disse ele. "Imagino que os outros grandes provedores de nuvem tenham organizações parecidas.

Mas ele aproveitou a oportunidade para lembrar que o esforço da Meta não é exclusivo. "Embora a empresa tenha gasto mais de US$ 70 bilhões em infraestrutura de IA no ano passado e planeje gastar outros US$ 600 bilhões nos próximos dois anos, Google e OpenAI estão gastando pelo menos esse montante".

E prosseguiu: "Acho que isso deu a Zuckerberg a chance de falar não apenas sobre a ênfase nesse caminho, mas também sobre como eles farão isso."

Aposta na infraestrutura como portfólio de investimento

Alguns especialistas disseram não estar surpresos com a criação da Meta Compute. "A Meta está dobrando a aposta na infraestrutura como um portfólio de investimento, em vez de simplesmente um centro de custos", disse Lane Dilg, ex-chefe de política de infraestrutura da OpenAI.

Com a aceleração do boom da IA, a Meta não vê mais data centers, GPUs, contratos de energia e chips customizados como mera base para seus produtos. Ela os trata como ativos estratégicos — mais como um alocador de capital do que como uma empresa de tecnologia.

Na prática, diz Dilg, a Meta está se posicionando não apenas contra outros gigantes da tecnologia, mas contra as plataformas de investimento mais sofisticadas do mundo.

Nesse cenário, a escolha de Daniel Gross faz sentido. O executivo tem experiência na construção de supercomputadores (como o Andromeda Cluster, com mais de 4.000 GPUs) e deu pistas sobre sua busca por talentos, afirmando que está contratando pessoas com experiência em "aprendizado profundo, cadeias de suprimentos, commodities, semicondutores, energia e geopolítica". Isso sugere que a Meta busca se proteger contra a volatilidade nos custos de energia e hardware.

Powell McCormick também é uma contratação estratégica fundamental. "Os provedores de nuvem agora estão focados em como obter energia e investindo em projetos nessa frente financiados por caixa e dívida", disse Umesh Padval, investidor experiente. "Com seu histórico bancário e político, ela trabalhará para financiar e obter aprovações governamentais para permitir a construção mais rápida da capacidade computacional."

Ceticismo sobre o retorno do investimento na Meta

Nem todos apoiam a decisão. Em uma postagem no dia do anúncio, Michael Burry, o investidor de "A Grande Aposta", escreveu: "A Meta cede, jogando fora seu único trunfo. Assistam ao Roic (Retorno sobre Capital Investido) despencar."

O alerta de Burry reflete o medo de que a Meta esteja abandonando sua capacidade de gerar lucros enormes sem afundar somas vastas em infraestrutura física, tornando-se mais parecida com uma empresa de serviços públicos do que com uma empresa de software de alta lucratividade.

Mas, como a Meta já despejou dezenas de bilhões em data centers e sinalizou outras centenas de bilhões em compromissos de longo prazo nessa frente, parece que esse trem já partiu há muito tempo.

Este texto foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

Estadão
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