Volkswagen quer fechar quatro fábricas na Alemanha, afirma revista
A diretoria da Volkswagen aprovou por unanimidade o fechamento gradual de quatro fábricas na Alemanha entre 2031 e 2034, afetando cerca de 44 mil trabalhadores. Em crise, a montadora busca cortar custos e garantir rentabilidade a longo prazo, considerando ampliar cortes de empregos para até 100 mil postos. O encerramento das unidades só será revisto se houver redução de custos até 2027. Sindicatos e governos regionais prometeram forte resistência contra o plano da empresa.
Medida da montadora alemã em crise teria sido aprovada por unanimidade pela diretoria e entraria em vigor já a partir de 2031, a despeito da resistência de sindicatos e políticos. Juntas, fábricas empregam 44 mil pessoasA diretoria da Volkswagen aprovou por unanimidade o encerramento da produção em quatro de suas fábricas na Alemanha, informou a revista alemã Wirtschaftswoche nesta quarta-feira (02/09), citando um documento interno da empresa.
Segundo a revista, as fábricas em Emden e Zwickau encerrariam a produção em 2031; em 2032, seria a vez de Hannover; por fim, em 2034, Neckarsulm, que produz para a Audi, fecharia suas portas.
Esse destino só seria eventualmente reavaliado caso as fábricas conseguissem reduzir seus custos de produção a um nível competitivo até o fim de junho de 2027. Combinadas, as quatro fábricas empregam cerca de 44 mil pessoas diretamente.
As medidas seriam necessárias para garantir "a competitividade e rentabilidade do grupo Volkswagen no longo prazo".
A decisão seria comunicada em uma reunião ainda nesta sexta-feira com o conselho de supervisão, onde empregados e políticos têm assento e tendem a resistir à medida.
Ainda assim, a reportagem afirma que o conselho de supervisão não poderia fazer nada a respeito do fechamento gradual das fábricas, citando fontes de alto escalão.
A Volkswagen não quis se pronunciar sobre o assunto.
Sindicalistas dizem que vão resistir
Sindicalistas rejeitaram a ideia de que o destino das fábricas já esteja selado.
"Em decisões de tamanha importância, não há como contornar os órgãos competentes, ou seja, o conselho de supervisão da Volkswagen", afirmou o diretor regional da IG Metall na Baixa Saxônia, Thorsten Gröger.
Ele acusou a diretoria de gerar insegurança por meio da divulgação de informações à imprensa. "O que está sendo vazado da empresa transmite cada vez mais a imagem de um confronto deliberadamente provocado. Se a diretoria está procurando esse conflito, ela o terá", declarou Gröger.
Os planos para o futuro da VW, que incluem cortes de gastos, serão tema central da reunião do conselho de supervisão da empresa nesta sexta.
Segundo informações de bastidores, há três propostas: uma da diretoria, outra dos representantes dos trabalhadores e uma terceira do estado da Baixa Saxônia, que detém 20% da montadora.
Ainda não está claro se as partes conseguirão chegar a uma posição comum ou se a disputa sobre os rumos da empresa irá se agravar.
Um porta-voz do governo da Saxônia assegurou que o estado "lutará por cada fábrica".
VW em crise
A Volkswagen, assim como outras montadoras alemãs, atravessa uma profunda crise. A direção da empresa vem afirmando há algum tempo que o corte proposto de 50 mil postos de trabalho até 2030 não é suficiente, e quer ampliar esse número para 100 mil.
"A situação é mais do que crítica", afirmou o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, durante a abertura de uma série de assembleias extraordinárias de trabalhadores em diferentes unidades da Volkswagen.
Segundo ele, a empresa continua lucrativa, mas não gera recursos suficientes para financiar seu futuro.
Na ocasião, Blume classificou o fechamento de fábricas como uma última opção que gostaria de evitar.
No entanto, ele disse que para Emden, Zwickau, Hannover e Neckarsulm ainda não há uma "ocupação competitiva" para a década de 2030.
"Nosso objetivo é criar perspectivas sólidas para todas as unidades nos próximos seis a doze meses", afirmou o executivo.
Entre as alternativas em discussão estão o uso temporário de fábricas para a produção militar e a fabricação na Alemanha de modelos da Volkswagen desenvolvidos na China.
ra (dpa, AFP)
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