Taxas dos DIs voltam a ceder em meio a recuo firme dos rendimentos dos Treasuries
As taxas dos DIs operam em queda nesta quinta-feira, influenciadas pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries americanos e pelo cenário político brasileiro. O mercado reagiu positivamente à pesquisa que mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, reduzindo prêmios na curva a termo. O movimento é reforçado por sinais de desaceleração da atividade econômica, o que consolidou apostas de 95% de chance de corte de 25 pontos-base na taxa Selic pelo Copom já na reunião de setembro.
As taxas dos DIs voltaram a ceder nesta manhã de quinta-feira, com o cenário político brasileiro e o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries influenciando nova redução de prêmios na curva.
Às 9h54, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,58%, em baixa de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,661% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,31%, com recuo de 6 pontos-base ante 14,369%.
Na quarta-feira as taxas futuras no Brasil fecharam em baixa após pesquisa da Quaest mostrar uma diferença menor nas intenções de voto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois estão tecnicamente empatados no segundo turno.
Nesta quinta-feira as atenções se voltam novamente para a disputa presidencial, com os investidores à espera de nova pesquisa Datafolha.
De modo geral, Lula tem sido visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a redução numérica da distância para Lula -- têm se refletido na queda do dólar ante o real e na redução de prêmios na curva a termo.
A queda dos rendimentos dos Treasuries nesta manhã -- ainda que o petróleo Brent esteja em alta, em meio ao conflito no Oriente Médio -- corroborava o recuo das taxas futuras no Brasil.
Às 9h54, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 8 pontos-base, a 4,305%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 6 pontos-base, a 4,732%.
Nas últimas sessões, os investidores vêm consolidando as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará a taxa básica Selic, hoje em 14%, em 25 pontos-base em setembro, podendo promover nova redução em novembro.
Por trás disso está tanto o fator político, com Flávio reduzindo a diferença para Lula, quanto os dados econômicos mais recentes no Brasil, sugerindo desaceleração da atividade econômica.
Na última terça-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 95% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 4% de probabilidade de manutenção da taxa básica. Para o encontro seguinte, a precificação indicava 56% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 30% de chance de manutenção.
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