Volkswagen planeja ampliar demissões para 100 mil postos de trabalho
Segundo revista, montadora alemã em crise pretende dobrar meta de demissões em massa, que havia sido originalmente fixada em 50 mil . Reestruturação radical também pode resultar no fechamento de 4 fábricas na Alemanha.Maior montadora da Europa, a alemã Volkswagen está planejando uma reestruturação ainda mais radical, que poderia resultar na extinção de até 100 mil postos de trabalho nos próximos anos, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (26/06) pela revista Manager Magazin.
Se confirmado, o novo plano dobraria uma meta de redução anterior de 50.000 empregos até 2030 anunciada no ano passado, que já encarada como sem precedentes na indústria automobilística.
O corte significaria a eliminação de quase um em cada seis dos aproximadamente 657 mil postos de trabalho do grupo em todo o mundo, que pode resultar num dos maiores programas de demissões da história.
Além dos cortes massivos de cerca de 15% de todas as vagas em nível global, a VW estaria sendo planejado o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e o desmembramento da marca.
Procurada, a Volkswagen, que detém a Audi e a Porsche, não confirmou as informações, mas falou em "mudanças profundas" a caminho.
"Para isso, o conselho executivo do grupo tem trabalhado intensamente nos últimos meses em um plano para reorganizar a empresa", declarou um porta-voz da empresa.
Segundo ele, o modelo atual de negócios — desenvolver carros na Alemanha, produzi‑los na Europa e exportá‑los mundialmente — já não funciona para todas as marcas. Ele apontou tarifas, concorrência mais intensa e um cenário de mercado desfavorável.
De acordo com a Manager Magazin, o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, teria apresentado à diretoria do grupo um plano de reestruturação que prevê cortes de empregos em escala global.
Na Alemanha, as fábricas fechadas seriam as de Hannover, Zwickau e Emden, além da unidade da Audi em Neckarsulm.
Ainda segundo a Manager Magazin, o Grupo VW também passará por uma reestruturação completa. Tanto a marca principal Volkswagen quanto a subsidiária de componentes serão desmembradas do grupo e transferidas para empresas independentes.
Corte maior do que o divulgado anteriormente
Devido a uma queda de quase metade do lucro líquido em 2025, a Volkswagen havia anunciado anteriormente a eliminação de até 50 mil postos de trabalho até 2030. No entanto, se confirmado, o novo corte seria muito maior.
No final de 2024, o grupo havia firmado com os sindicatos um acordo para reduzir 35 mil empregos na Alemanha até 2030, sobretudo na marca principal. Dessas 35.000 vagas a serem eliminadas na marca principal, cerca de 28.000 desligamentos já foram acordados contratualmente.
"O mundo mudou fundamentalmente nos últimos anos. Nos últimos doze meses, essa evolução se intensificou", afirmou o porta-voz. "Para continuar bem-sucedidos nessas condições, precisamos evoluir. Todo o grupo precisa aumentar significativamente sua competitividade".
Sindicatos prometem resistir
Representantes dos trabalhadores reagiram imediatamente à reportagem com promessas de resistência.
"Se esses planos forem levados adiante, vamos combatê-los com toda a nossa força", declararam em nota conjunta a líder do sindicato IG Metall, Christiane Benner, a presidente do conselho de trabalhadores da VW, Daniela Cavallo, e o principal negociador sindical da IG Metall na empresa, Thorsten Gröger.
O governador do estado alemão da Baixa Saxônia, Olaf Lies (SPD), também se posicionou contra os planos de cortes radicais.
"O futuro da Volkswagen não será garantido colocando sempre novos fechamentos de fábricas ou programas cada vez maiores de demissões no centro das atenções", afirmou nesta sexta‑feira.
A Baixa Saxônia é uma grande acionista da montadora e participa do conselho de supervisão, que deve discutir o tema no dia 9 de julho.
O estado "não concordará com qualquer desenvolvimento que aposte em fechamentos de fábricas como uma solução aparentemente simples ou que coloque em dúvida o modelo comprovado de cogestão", enfatizou Lies.
Representantes dos trabalhadores ocupam metade das cadeiras do conselho e, junto com os representantes do estado da Baixa Saxônia, formariam maioria, o que, em tese, poderia dificultar a aprovação do projeto.
Problemas em série
Nos últimos tempos, diante de uma das maiores crises da sua história, a Volkswagen já anunciou que estuda liberar parte das linhas de produção ociosas em fábricas baseadas na Alemanha para montadoras chinesas de veículos elétricos.
Além disso, uma reportagem do jornal britânico Financial Times, afirmou que a Volkswagen estaria em negociações com a empresa israelense de defesa Rafael Advanced Defense Systems para uma possível colaboração que envolveria adaptar uma planta de produção de carros para a fabricação de equipamentos militares .
Em fevereiro, a Manager Magazin já havia noticiado que a montadora estaria plenajando um programa de cortes no valor de 60 bilhões de euros até 2028.
le (afp, ots)
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