Vendas no varejo do Brasil renovam recorde em fevereiro mas ficam abaixo do esperado
O setor varejista do Brasil seguiu em expansão em fevereiro e renovou o recorde de volume de vendas da série histórica iniciada em 2000, demonstrando resiliência em meio aos juros elevados, mas o desempenho ficou abaixo do esperado por economistas.
As vendas no varejo tiveram em fevereiro alta de 0,6% na comparação com o mês anterior, acelerando em relação a avanço de 0,4% em janeiro, mas o resultado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 1,0%.
Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda ganho de 0,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Nessa base de comparação a expectativa era de crescimento de 1,2%..
"A perspectiva é de que o varejo perca um pouco de força ao longo do ano, o que também impacta a atividade. Ainda assim, não esperamos uma desaceleração tão forte do PIB nos próximos meses", avaliou o C6 Bank em nota, ponderando que a "surpresa negativa" em fevereiro ficou concentrada no segmento mais volátil de atacado de alimentos.
Analistas avaliam que o mercado de trabalho robusto deve continuar ajudando o setor varejista este ano, amortecendo o impacto dos juros ainda elevados. Além disso, o início do ano conta com algumas medidas de estímulo que podem ajudar o consumo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil.
"Foi possível verificar em alguma medida o impacto de medidas adotadas no âmbito fiscal durante o ano passado e que começaram a reverberar nos indicadores mais recentes, com destaque para a isenção do pagamento de imposto de renda para fração dos trabalhadores do mercado formal", destacou Matheus Pizzani, economista do PicPay.
No entanto, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano.
"Até o momento não tem nenhum efeito ou impacto da guerra sobre o varejo", disse Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE. "Se eventualmente aparecer algo no comércio, será nos combustíveis. Os impactos nunca são restritos, mas uma guerra afeta as economias como um todo, como alimentos, transporte e custo de vida das pessoas."
No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à frente devido à guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro.
Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, quatro apresentaram crescimento das vendas em fevereiro--Livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%); Combustíveis e lubrificantes (1,7%); Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,1%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%).
Houve quedas em Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%); Tecidos, vestuário e calçados (-0,3%); e Móveis e eletrodomésticos (-0,1%).
De acordo com Santos, o resultado positivo neste ano foi alavancado pela "volta do protagonismo de atividades que ofertam produtos básicos do comércio, sobretudo atividades de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que têm um peso grande no indicador geral".
No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas apresentaram ganho de 1,0% sobre janeiro.
(Edição de Isabel Versiani)
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