Vale testa nova tecnologia para extrair potássio em Sergipe
<br/>A mineradora Vale desenvolveu uma tecnologia inédita no Brasil que será usada para extrair potássio a 1,2 mil m de profundidade em reservas no Nordeste. A nova técnica, que dispensa mão-de-obra no subsolo, está em fase piloto no Sergipe, na região em que a mineradora já produz o insumo para fertilizantes via contrato de arrendamento com a Petrobras, que detém a licença de exploração.<br /><br />A mineradora já concluiu que o novo método pode ser aplicado no projeto, mas ainda está testando capacidade de produção e outras aplicações. A Petrobras possui os direitos minerários de uma área que inclui a mina Taquari-Vassouras, entre outras áreas com potencial de potássio que poderão ser novamente arrendadas ou mesmo vendidas para a Vale. As duas empresas negociam o ativo e em breve deverão anunciar um acordo. "Nós temos estudos importantes, não apenas sobre a exploracão, mas principalmente sobre o desenvolvimento da carnalita", afirmou o presidente da Vale, Murilo Ferreira, em entrevista à Reuters na semana passada.<br /><br />Entre os minerais de onde pode ser extraído o potássio, estão a carnalita e a silvinita, ambas presentes em Sergipe. "A equipe técnica da Vale desenvolveu um conceito que é patente da própria empresa e está registrado no Brasil, nos Estados Unidos, em vários países. Como sabemos, o País é grande dependente de fertilizantes e por isso este projeto é muito importante pra nós", acrescentou o executivo.<br /><br />O processo para extrair potássio dos depósitos de carnalita conta com dois dutos. O primeiro injeta água aquecida nos poços subterrâneos para dissolver a rocha carnalita, que é levada à superfície, pelo outro duto, sob a forma de salmoura (uma mistura da carnalita com outros sais). Já na superfície é realizada a separação do sal de potássio dos demais também presentes nos depósitos.<br /><br />De acordo com a Vale, o processo, chamado Solution Mining, será usado não apenas no Sergipe, mas também nos projetos Rio Colorado e Neuquén (ambos na Argentina) e Kronau, no Canadá. Os três projetos são para a produção de silvinita. A lavra piloto está localizada na Fazenda Pedras, no município de Maruim, em Sergipe. O local é próximo à divisa com Rosário do Catete, região que caracteriza-se pela presença de reservas de carnalita. O projeto deve entrar em operação entre 2014 e 2016.<br /><br />A Vale já explora a mina arrendada da Petrobras em Sergipe desde 1991 e produz cloreto de potássio a partir dos sais de silvinita, num volume de cerca de 700 mil t anuais. O projeto atual extrai potássio da silvinita a uma profundidade de 450 m, acima dos depósitos de carnalita.<br /><br />A existência de hidrocarbonetos (a Petrobras procurava petróleo e também acabou encontrando potássio ali) propicia a ocorrência de gases explosivos na região, o que exigiu uma complexa tecnologia de lavra subterrânea desde o começo da exploração, pela Petrobras, na década de 80.<br /><br />Após um eventual acordo com a Petrobras, a Vale poderá mais que triplicar a produção de potássio no Sergipe, chegando a um volume de 2,2 milhões de t anuais a partir da exploração da carnalita. A expansão da produção poderá custar cerca de US$ 4 bilhões.