Unilever diz não sofrer impacto das canetas emagrecedoras e comemora alta na venda de maioneses
Segundo Rodrigo Visentini, CEO da divisão de Alimentos da empresa para a América Latina, pessoas estão comendo porções menores, mas não 'abrem mão do sabor', o que beneficia marcas como Hellmann's
Medicamentos de combate ao diabetes e à obesidade estão mudando os hábitos de consumo, especialmente na indústria de alimentos. Na Unilever, porém, as chamadas canetas emagrecedoras à base de semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro) não prejudicaram as vendas, segundo Rodrigo Visentini, CEO da divisão de Alimentos da Unilever para a América Latina.
"As pessoas estão comendo porções menores, é verdade, mas não abrem mão do sabor. Não vendemos proteínas, mas oferecemos ótimos acompanhantes", diz o executivo. Segundo ele, as vendas da versão light da maionese Hellmann's são as que mais crescem: 38% em valor e 25% em volume, em abril deste ano sobre março de 2025.
A divisão de alimentos da gigante global de produtos de consumo tem aplicado a máxima de que, com a mudança no consumo, se não se pode com as canetas emagrecedoras, o melhor é adaptar-se a elas.
A companhia reportou receita de € 12,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com participação ativa das marcas ligadas à alimentação — especialmente a Hellmann's, que, aos 64 anos, continua em plena forma.
De acordo com levantamento da Nielsen, em abril deste ano, o mercado de maioneses cresceu 10,7% em valores e 2% em volume. No caso de Hellmann's, o crescimento foi da ordem de 11,6% e 3,7%, respectivamente.
Visentini diz que a companhia tem apostado fortemente em duas direções: o público jovem e em inovação.
Não por acaso, a marca Hellmann's tem aparecido em badalados festivais de música, como Lollapalooza, Rock in Rio, The Town, e até na série Stranger Things e nos jogos da NBA. A empresa não divulga valores, mas afirma que seus investimentos em marketing seguem os parâmetros globais, na casa dos 16% da receita.
No capítulo inovação, tem desde o ketchup sem conservantes até as versões saborizadas de Hellmann's, que começou em 2020 com a maionese verde (sabor ervas). Hoje, além da tradicional, há outros oito sabores — de alho até sabor churrasco — disponíveis nas gôndolas dos supermercados. "Tudo desenvolvido no Brasil", Visentini faz questão de dizer, "e depois exportado para os demais países".
A mais recente novidade é fruto de uma parceria entre a anglo-holandesa e a americana Pepsico. Os "molhos para chuchar" — é assim mesmo que se apresentam — são a aposta da companhia para a Copa do Mundo. A Unilever entra com o molho e a Pepsico com o salgadinho, tipo tortilhas, batizadas de Tostitos.
Mercados distintos, público diverso
Responsável pelos principais mercados da região, Rodrigo Visentini tem dividido sua agenda entre Brasil, o principal mercado, e México e Argentina, "cada um com sua peculiaridade".
No México, segundo o executivo, 30% das vendas estão concentradas no Wal Mart, a maior rede local de supermercados. No B2B, boa parte da comercialização é feita em barraquinhas distribuídas pelas ruas. "Lá, vende-se maionese por quilo, tudo pago em papel moeda. O mercado informal é enorme. Nenhum outro país latino-americano tem a sofisticação da tecnologia financeira do Brasil".
A divisão trabalha em duas frentes: vendas ao consumidor final, o B2C, e para o mundo corporativo, o B2B, onde entram hotéis, restaurantes e padarias, por exemplo. A microeconomia argentina é um complicador, com renda e consumo em queda. Já o México vem sofrendo com a dependência da economia americana e as tarifas impostas pelos Estados Unidos. "Mas há oportunidade de crescimento nos três maiores mercados", completa Visentini.
Nova gigante global de alimentos
Desde 2022, a Unilever promove uma reestruturação interna para concentrar esforços nos que considera de maior relevância: beleza e bem-estar, cuidados com a casa, cuidados pessoais e nutrição. A última movimentação foi em 2024, quando a companhia separou sua divisão de sorvetes e criou uma empresa independente com marcas globais e locais.
Agora, é a vez da divisão de alimentos passar por algo parecido. Em março passado, a companhia anunciou a junção de Unilever Foods com a McCormick, o que vai resultar em uma nova gigante global do setor, avaliada, em princípio, em quase US$ 70 bilhões. A operação, avaliada em US$ 45 bilhões, envolve o pagamento de US$ 15 bilhões em dinheiro e US$ 30 bilhões em ações da McCormick com a Unilever no controle acionário, com 65% das ações.
A marca que sobrevive é a McCormick, mais voltada ao B2B. "São negócios complementares, já que a especialidade da McCormick são aromas e temperos, enquanto nós, embora atendamos também o público corporativo, atuamos também no B2C", completa Visentini.
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