Trump planeja usar programa de IA do Pentágono para precificar minerais críticos, dizem fontes
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, planeja usar um programa de inteligência artificial criado pelo Pentágono para ajudar a definir preços de referência para minerais críticos, enquanto trabalha para construir uma zona global de negociação de metais, disseram à Reuters três fontes com conhecimento direto do projeto.
O vice-presidente JD Vance propôs, no início deste mês, que os EUA e mais de 50 outros países imponham "preços de referência para minerais críticos em cada etapa da produção", que seriam respaldados por "tarifas ajustáveis para manter a integridade dos preços".
Segundo as fontes, que não estavam autorizadas a falar publicamente, esses preços de referência serão definidos pelo programa Open Price Exploration for National Security (Open) AI Metals, do Departamento de Defesa dos EUA.
A medida lança luz sobre como o governo pretende moldar os preços de mercado, mesmo que a tecnologia de IA tenha enfrentado ceticismo quanto à sua capacidade de reformular a maneira como os minerais críticos são comprados e vendidos.
O programa Open foi lançado em 2023 pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa, na sigla em inglês), do Pentágono, com o objetivo de calcular o preço que um metal deveria ter quando os custos de mão de obra, processamento e outros forem considerados, e quando a alegada manipulação do mercado chinês for desconsiderada.
Autoridades do governo Trump estão inicialmente focando o modelo de precificação de IA da Open em pelo menos quatro minerais críticos, incluindo germânio, gálio, antimônio e tungstênio, antes de expandir para outros, com a S&P Global e a empresa de dados finlandesa Rovjok fornecendo dados e assistência técnica, de acordo com as fontes.
A Casa Branca, o Departamento de Defesa, a S&P e a Rovjok não responderam aos pedidos de comentários.
O plano para os minerais surge no momento em que o governo se mobiliza para implementar rapidamente ferramentas de IA em outras frentes, incluindo parcerias com a OpenAI, Anthropic e o Google, da Alphabet, para o uso de IA generativa em cenários de campo de batalha.
FOCO NOS MERCADOS DE METAIS COM BAIXO VOLUME
A China é a maior mineradora ou processadora mundial de muitos dos minerais considerados críticos pelo governo dos EUA. Pequim tem usado essa vantagem nos últimos anos para produzir minerais com prejuízo e pressionar os preços de mercado para baixo, um cenário que forçou rivais ocidentais a fecharem as portas.
Autoridades chinesas afirmam há tempos que Pequim administra suas exportações de minerais de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O programa Open, que será transferido para o controle da organização sem fins lucrativos Critical Minerals Forum (CMF) no próximo ano, tem se concentrado desde sua concepção em metais com baixa liquidez ou que não são negociados de forma alguma.
A CMF afirmou que seu foco tem sido trabalhar com "parceiros financiados pelo governo para realizar testes de estresse com modelos de IA" e "identificar e apoiar projetos de mineração e processamento comercialmente viáveis, em vez de se concentrar em políticas governamentais".
O modelo de IA visa promover acordos de fornecimento de metais entre mineradoras e fabricantes ocidentais, proporcionando a ambas as partes maior previsibilidade de preços.
Para os fabricantes que utilizam germânio, antimônio, gálio e outros minerais, pode ser difícil avaliar se os preços chineses refletem a dinâmica tradicional de oferta e demanda.
Um preço para o antimônio definido pelo programa de IA e apoiado pelo bloco comercial poderia aumentar os lucros de empresas que desenvolvem projetos com antimônio nos EUA, por exemplo. No entanto, isso poderia elevar os preços para as montadoras que usam antimônio em adesivos e outros produtos.
Não ficou imediatamente claro se os preços derivados da IA oscilariam ou seriam fixos, nem se seriam definidos entre os EUA e aliados individuais ou aplicados em todo o bloco comercial.
O cronograma de implementação também não está claro, já que o governo Trump precisa primeiro convencer dezenas de aliados a aderirem ao bloco para garantir sua eficácia.
O Ministério de Energia e Recursos Naturais do Canadá afirmou em comunicado à Reuters que está "trabalhando para compreender e analisar de forma abrangente" a proposta de bloco comercial de minerais.