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Track&Field quer transformar treinadores em revendedores de roupas esportivas

Fred Wagner, presidente e fundador da marca de vestuário para esporte, quer acelerar vendas diretas com aplicativo TFSports, que conecta atletas e treinadores; grupo trouxe ex-CEO da Avon, José Vicente Marino, para a presidência do conselho

30 jul 2021 22h01
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SÃO PAULO - Sem a possibilidade de faturar com corridas de rua durante a pandemia, a Track&Field colocou os clientes para se exercitarem em casa por meio de um aplicativo. Ao todo, 120 mil pessoas aderiram à ferramenta, e a varejista enxergou um novo canal de vendas. O TFSports agora vai ganhar um marketplace (shopping virtual) de produtos e serviços de bem-estar para conectar treinadores de diferentes esportes a pessoas interessadas em praticá-los, segundo o presidente executivo e cofundador da empresa, Fred Wagner, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Em troca do espaço, os profissionais indicarão produtos da Track&Field aos clientes, tornando-se revendedores da marca. A empresa não ganha comissões sobre as aulas. O faturamento virá da venda de produtos por meio do aplicativo - testes mostraram uma alta de 20% nas vendas de franqueados que aderiram ao projeto. Ainda assim, a varejista quer que os dois lados façam toda a operação sem sair do aplicativo TFSports. Os treinadores, por exemplo, terão uma carteira digital com a marca da companhia para gerir os recursos provenientes das aulas.

A expectativa é chegar a 1 milhão de pessoas cadastradas na plataforma a médio prazo. Hoje, aproximadamente 400 profissionais ligados a modalidades esportivas já estão cadastrados, e a Track&Field quer transformá-los em uma versão própria das conhecidas revendedoras de marcas de cosméticos como Natura e Avon. Dessas empresas veio José Vicente Marino, novo presidente do conselho, que deve ajudar na nova empreitada.

Fred Wagner, cofundador e presidente da Track&Field
Fred Wagner, cofundador e presidente da Track&Field
Foto: GLADSTONE CAMPO/TRACK&FIELD/ DIVULGAÇÃO / Estadão

A nova funcionalidade está em testes em quatro mercados, e é a grande aposta da T&F para crescer nos próximos anos. A empresa, criada em 1988 e que abriu capital na Bolsa no ano passado, enxerga no digital o futuro de seu negócio. E avisa: apesar de especulações recentes de que poderia ser vendida a rivais, como a SBF, dona da loja Centauro, uma venda do negócio não está nos planos.

"Do nosso lado, a Track&Field não é um alvo de aquisição", afirma Fred Wagner. "As pessoas podem mirar nela, mas não temos nenhuma intenção nesse momento de fazer um movimento neste sentido."

O mercado especulou em junho que a empresa poderia ser vendida à SBF, depois que vários diretores e o então presidente executivo deixaram a companhia. Wagner afirma que a troca no alto escalão foi fruto da mudança de foco da empresa, que, após a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), quer ligar todos os cilindros no mundo digital. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

A Track&Field está trazendo José Vicente Marino (ex-CEO da Avon) para o conselho da empresa. O que ele vai trazer para o negócio?

Todas as empresas passaram por uma transformação da forma de vender, e houve uma digitalização do relacionamento com o cliente durante a pandemia. Nós fizemos um movimento importante e aumentamos significativamente as vendas iniciadas digitalmente. Hoje, aproximadamente 40% das nossas vendas começam, de alguma forma, no digital. Ao longo da pandemia, também digitalizamos os nossos eventos, e 120 mil pessoas se cadastraram para fazer exercícios em casa em nosso aplicativo (TFSports). Essa plataforma agora se amplia, não só com mais atletas, mas também com treinadores, que começam a ter um papel central. Por isso, estamos avançando na venda direta. O José Vicente vem desse universo. Ele vem da Natura. Foi CEO e fez a virada da Avon. Ele vem para agregar a esse crescimento.

Por que investir no aplicativo TFSports?

A plataforma vai ser um destino para qualquer pessoa que queira conhecer uma nova modalidade esportiva ou participar dos eventos que realizamos. Esperamos que as corridas presenciais voltem em 2022, e ao mesmo tempo, estamos criando atividades em outras modalidades, como o beach tennis, e trazendo o acesso a eventos e a treinadores. O nosso cliente, quando quiser procurar algo relacionado a uma atividade esportiva, vai procurar na nossa plataforma. E por meio das lojas, há uma capacidade muito grande não só de captar localmente os treinadores, mas também os clientes para esse universo. O app é um hub de bem-estar. Podemos expandi-lo para áreas de alimentação, nutrição, e até outras.

Qual é o investimento na nova plataforma digital?

Quando levantamos capital, alocamos R$ 30 milhões na plataforma. Estamos entrando no segundo ano, e obviamente a companhia gera caixa para investir mais se for necessário.

A abertura de lojas físicas também está nos planos?

Vamos abrir mais lojas neste ano do que no ano passado, quando foram 35. Achávamos que a pandemia reduziria a abertura, mas, com o aumento do mercado potencial, percebemos um consumo mais distribuído no País. Estamos abrindo um número importante de lojas de rua, que são hubs para a entrega (de produtos comprados online). Se o cliente compra em Salvador, por exemplo, recebe os produtos em até 24 horas. Vamos ter o maior número de aberturas de lojas da história da empresa.

Existe uma preocupação sobre o desempenho do mercado com o consumo, diante da alta da inflação. O crescimento do faturamento vai se sustentar?

Vai se manter. Entendo o pensamento macroeconômico, mas o que enxergamos é que usar roupas confortáveis, praticar esporte e ter preocupação com a saúde se tornaram hábitos centrais na vida das pessoas. Essa mudança de comportamento veio para ficar. As pessoas vão continuar se preocupando em ter uma vida saudável. Estamos bastante otimistas, no que é possível.

Muitas indústrias estão com dificuldades em suprimentos e custos. Também estão passando por essas dificuldades?

Estamos administrando de uma forma relativamente saudável a nossa cadeia produtiva. Ao longo da pandemia, vários processos e insumos tiveram interrupções, mas conseguimos manter um nível de ruptura (falta de produtos) baixo. Mesmo com o fechamento das lojas, não tivemos muita sobra de produtos. Existe uma pressão de aumento de preços, um pouco em razão do descolamento do câmbio, um pouco por causa desse desbalanceamento das cadeias. Mas temos relacionamentos de longo prazo com (empresas de) fiações, tecelagens e confecções.

A Track&Field teve mudanças no alto escalão, e isso repercutiu no mercado. Por que as mudanças aconteceram?

Essas mudanças foram absolutamente naturais. Tivemos um momento importante de estruturação de governança ao longo de 2018, 2019 e 2020, com a abertura de capital. Agora, vamos para um novo momento, com foco em crescimento, digitalização, e ele pede novos conhecimentos (da liderança).

Também buscam um novo diretor de operações. Quais competências procuram?

Estamos olhando para inovação e para formas de distribuir venda direta. Mas muito importante é a capacidade produtiva. Com a abertura de um novo canal, pretendemos aumentar a quantidade de itens produzidos ao longo do ano. Estamos buscando um diretor de operações com um viés de indústria, de produção.

Em junho houve o rumor, desmentido pela Track&Field, de que a empresa poderia ser vendida a uma rival. Existe um plano de vender a Track&Field?

Não existe nenhum plano em curso de fusão e aquisição na Track&Field, nem formal, nem informal. Os rumores aconteceram por causa do momento de mercado: temos acesso a capital muito fácil, e algumas empresas são alvo de compra. Vimos operações acontecendo, mas nada relacionado a nós.

A Track&Field não é um alvo potencial?

Do nosso lado, a Track&Field não é um alvo de aquisição. As pessoas podem mirar nela, mas não temos nenhuma intenção nesse momento de fazer um movimento neste sentido.

Foram procurados por alguma empresa?

Não fomos procurados.

Estadão
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