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Taxas dos DIs voltam a subir após ataques dos EUA ao Irã

26 mai 2026 - 16h50
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As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam ‌a terça-feira em alta, em uma sessão de maior cautela nos mercados após os EUA promoverem novos ataques ao sul do Irã, colocando em dúvida um possível acordo de paz entre os países.

O avanço das taxas futuras no Brasil esteve na contramão da queda firme dos rendimentos dos Treasuries na volta do feriado nos EUA.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de ⁠2028 estava em 13,82%, em alta de 12 pontos-base ante o ajuste de 13,7% da sessão anterior. ‌Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,985%, com elevação de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,905%.

Os EUA realizaram novos ‌ataques contra alvos no sul do Irã durante a madrugada, ‌enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a negociação de um ⁠acordo pode "levar alguns dias". Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta terça-feira que os EUA violaram o cessar-fogo.

Em reação, o petróleo tipo Brent voltou a subir, superando os US$100 o barril em alguns momentos, e o dólar se manteve em alta ante quase todas as demais moedas.

No Brasil, este cenário se traduziu na alta das taxas dos DIs desde o ‌início do dia, ainda que em Nova York os rendimentos dos Treasuries cedessem.

"Os Treasuries costumam ter um ‌movimento comprador (de títulos) mais marginal no ⁠fim do mês, e ⁠há também um 'catch-up' (alinhamento) porque ontem foi feriado", comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research, ao justificar a queda dos ⁠rendimentos dos títulos norte-americanos nesta terça-feira. Na véspera, ‌com o mercado norte-americano fechado em ‌função do Memorial Day, as curvas de juros cederam ao redor do mundo.

"No Brasil, a abertura de hoje foi (com o mercado) voltando à toada do exterior degradando, com o petróleo subindo", disse Costa, ao justificar o avanço das taxas dos DIs. "Mas o Brasil manteve as ⁠taxas em alta, mesmo com a queda (dos rendimentos dos Treasuries), porque parece estar faltando comprador marginal", acrescentou.

Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima intradia de 14,025% (+12 pontos-base) às 13h48, em um momento em que o rendimento do Treasury de dez anos marcava 4,5044% (-7 pontos-base).

"Ontem tivemos uma queda relevante na curva justamente ‌porque o mercado comprou um pouco daquela narrativa mais otimista", disse Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, em comentário por escrito sobre o comportamento dos ⁠títulos brasileiros.

"Hoje vemos uma devolução importante desse movimento, refletindo exatamente esse retorno do pessimismo. É aquela novela que o mercado já conhece bem. Petróleo sobe, inflação preocupa, expectativa de corte de juros diminui e a curva reage."

Com o cenário ainda nebuloso no Oriente Médio, os investidores seguem divididos sobre a continuação do ciclo de cortes da taxa básica Selic para além de junho.

Na última sexta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 74,5% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 20% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.

Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 46% para novo corte de 25 pontos-base, 43% para manutenção da Selic e 11% para corte de 50 pontos-base.

Às 16h38, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 8 pontos-base, a 4,495%.

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