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Taxas dos DIs têm correção em leve alta após ata do Copom

25 jun 2019
10h26
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Os juros futuros têm leve alta nesta terça-feira, 25, num ajuste fino à ata do Copom, depois da queda considerada "otimista" das taxas na última Sexta-feira (21). O texto sobre a reunião de política monetária da semana passada trouxe sinais sobre patamar da taxa básica de juros, repetiu a preocupação sobre a incerteza que paira sobre as reformas fiscais e reforçou a visão "dovish" sobre a atividade econômica global e os riscos envolvidos.

"O mercado local precisa de uma correção técnica, especialmente com a cautela externa e a incerteza ainda presente com PEC da Previdência", afirmou o operador da H.Commcor Cleber Alessie Machado Neto.

Simultaneamente ao início da negociação no mercado de juros, o IBGE divulgou o IPCA-15 de junho, que veio em linha com o esperado pelo mercado. A inflação registrou alta de 0,06% ante maio, abaixo da mediana de 0,07% calculada pelo Projeções Broadcast, a partir de um intervalo que ia de queda de 0,13% a uma alta de 0,15%. Às 9h18, o DI para janeiro de 2021 exibia 5,90% ante 5,85% no ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2023 estava em 6,73% ante 6,69% no ajuste de ontem.

Ainda sobre a ata, o economista-chefe do Haitong Banco de Investimentos Brasil, Flávio Serrano, afirmou que o tom veio bem parecido com o comunicado divulgado logo após a reunião na Quarta-feira. "A ata traz um tom 'dovish' em relação ao quadro de atividade, principalmente no cenário externo e mostra cautela em relação às reformas no Brasil", afirmou Serrano.

No texto, a autoridade monetária escreveu que o "cenário com juro da Focus 5,75% ao ano, segundo relatório divulgado ontem (segunda-feira) produz inflação em torno da meta para 2020. (...) O cenário com juro constante produz inflação um pouco abaixo da meta para 2020".

Assim como no comunicado, os diretores do Banco Central escreveram que "o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável. Eles entendem, contudo, que, neste momento, o risco" ligado às reformas "é preponderante". Na prática, o BC não vê risco maior de a reforma da Previdência fracassar, mas deixa claro que este se tornou o principal risco a ser observado.

Sobre a atividade global, a ata destaca que há evidências de desaceleração econômica em vários países. Por conta disso, os riscos associados à desaceleração da economia global permanecem, sendo que incertezas de natureza geopolítica podem contribuir para avanço global ainda menor.

O economista-chefe da Novus Capital, Tomás Goulart, também observou que o BC demonstrou preocupação com o crescimento doméstico baixo. "É uma ata que se preocupa com o crescimento baixo e pensa em fatores que poderiam explicar isso. Vê que o movimento de corte de juros é possível, com as projeções de inflação em torno da meta no cenário em que há redução da Selic, mas afirma que quer esperar a reforma da Previdência", afirmou Goulart.

Estadão
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