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Taxas dos DIs sobem em dia de aversão a risco após ataque dos EUA ao Irã

2 mar 2026 - 16h49
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As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira em ‌alta, em uma sessão de forte aversão a ativos de risco em todo o mundo, após Estados Unidos e Israel terem atacado o Irã no fim de semana.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,69%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 12,617% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,39%, com elevação de ⁠7 pontos-base ante 13,318%.

Os ataques provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, mas também uma reação dos iranianos, que ‌dispararam mísseis contra alvos em uma série de países árabes, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

Nesta segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que ordenou o ataque ao Irã para impedir o desenvolvimento ‌nuclear de Teerã e um programa de mísseis balísticos. Trump também prometeu ‌continuar a guerra pelo tempo que for necessário.

Já o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto ⁠dos EUA, disse que levará tempo para o país atingir seus objetivos militares no Irã e que são esperadas mais baixas norte-americanas.

A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou a alta dos preços do petróleo e a aversão a ativos de risco, como moedas e títulos de países emergentes.

No Brasil, essa aversão se traduziu na alta firme do dólar ante o real e no avanço das taxas dos DIs.

A taxa do DI para janeiro ‌de 2028 atingiu o maior valor da sessão, de 12,740% (+12 pontos-base), às 9h46, ainda na primeira hora de negociação. ‌Já o DI para janeiro de 2035 ⁠marcou a máxima de ⁠13,445% (+13 pontos-base) às 13h59.

Apesar dos efeitos nos mercados neste primeiro momento, os impactos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação ⁠e a taxa de juros no mundo e no Brasil ‌ainda são uma incógnita.

"O impacto sobre a ‌economia brasileira é dúbio, e será preciso esperar para ver qual efeito dominará. Por um lado, o preço do petróleo aumentando em dólares pressiona o custo dos combustíveis domesticamente", comentou André Valério, economista sênior do Inter. "Por outro lado, o Brasil é exportador líquido de commodities e tende a se beneficiar do ⁠aumento no preço do petróleo."

De acordo com Valério, o conflito no Oriente Médio, a princípio, não altera a perspectiva de início do ciclo de cortes da taxa básica Selic este mês.

"Porém, a incerteza causada pelo conflito pode levar o Copom a encerrar o ciclo de cortes antes da hora, mas isso dependerá da duração e tamanho do conflito", pontuou.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do ‌Banco Central reúne-se em 17 e 18 de março para decidir o novo patamar da Selic, hoje em 15%.

No boletim Focus divulgado pela manhã, economistas do mercado mantiveram a perspectiva de corte de 50 pontos-base da ⁠Selic este mês, mas as projeções foram encaminhadas antes da eclosão do conflito no Irã. A projeção mediana para a taxa no fim do ano foi de 12,13% para 12,00% e no encerramento de 2027 seguiu em 10,50%.

Na B3, as opções de Copom precificavam na quinta-feira -- dado mais recente, antes da divulgação do IPCA-15 de fevereiro e da ofensiva dos EUA no Oriente Médio -- 83,00% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 13,98% de chance de redução de 25 pontos-base e 2,04% de possibilidade de corte de 75 pontos-base.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries sustentavam fortes altas nesta tarde, em meio aos receios de que o avanço nos preços do petróleo possa impulsionar a inflação, o que exigiria taxas de juros não tão baixas nos EUA.

Às 16h35, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha alta de 11 pontos-base, a 3,49%. O rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 9 pontos-base, a 4,052%.

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