Taxas dos DIs sobem em dia de alta do dólar e do petróleo
As taxas dos DIs fecharam em alta nesta quinta-feira, pressionadas pelo avanço do dólar e pela volta do petróleo Brent ao patamar de US$ 100, em meio a tensões no Oriente Médio. O movimento abriu a curva de juros brasileira, mesmo diante do alívio pontual nos rendimentos dos Treasuries norte-americanos, que continuam em patamares elevados. No cenário doméstico, os agentes financeiros mantiveram a cautela à espera de nova pesquisa Datafolha e do debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas, em uma sessão marcada pelo avanço do dólar, pelo aumento do preço do petróleo e pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries, ainda que eles sigam em níveis elevados.
No Brasil, os agentes também aguardavam a divulgação de nova pesquisa eleitoral do Datafolha no início da noite.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,565%, com alta de 1 ponto-base ante o ajuste de 13,552% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,11%, com elevação de 13 pontos-base ante 13,976%.
Após os rendimentos dos Treasuries terem atingido os maiores níveis em décadas nos últimos dias, a sessão desta quinta-feira foi marcada pelo alívio nas taxas, que se intensificou no fim da manhã. Investidores voltaram a atuar na ponta de compra dos títulos norte-americanos, o que definiu a queda firme dos rendimentos em toda a curva.
Ainda assim, o Treasury de dez anos < US10YT=RR> seguiu em níveis elevados, acima dos 5,20%, refletindo as preocupações em torno da guerra no Oriente Médio e seu impacto na inflação. O petróleo Brent superou novamente os US$100 o barril, e o dólar sustentou ganhos firmes ante quase todas as demais divisas globais, incluindo o real.
Neste cenário, as taxas dos DIs também subiram.
"O dólar voltou para perto de R$5,22 e a curva de juros abriu principalmente do miolo para a ponta longa, mostrando que o mercado voltou a colocar um pouco mais de prêmio nos preços", disse Gustavo Danilo, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, em comentário escrito.
"Lá fora, o ambiente também ficou mais pressionado. Os juros americanos longos continuam em níveis elevados, o petróleo voltou a subir e o dólar ganhou força", destacou.
A taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima intradia de 14,130% (+15 pontos-base) às 15h09, mantendo-se em níveis elevados até o fim da sessão regular.
As atenções no Brasil também seguiram voltadas para a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.
O Datafolha divulgará nova pesquisa eleitoral no início da noite, enquanto a TV Globo promoverá debate entre os presidenciáveis. A previsão é de que Flávio participe do debate, enquanto Lula concederá entrevista a um podcast no mesmo horário.
Nesta reta final de campanha, as pesquisas mais recentes seguem indicando Lula e Flávio tecnicamente empatados no segundo turno.
Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 5 pontos-base, a 5,239%.
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