Taxas dos DIs sobem com aversão ao risco antes de fim do prazo para acordo entre Irã e EUA
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a terça-feira em alta, refletindo o avanço do petróleo no exterior e a aversão global a ativos de maior risco, em meio à cautela dos investidores antes do fim do prazo para que o Irã chegue a um acordo com os EUA.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,905%, com alta de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,83% da véspera. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,895%, com elevação de 4 pontos-base ante 13,852%.
O ultimato dado ao Irã pelo presidente dos EUA, Donald Trump, permeou os mercados globais nesta terça-feira, sem que surgisse uma solução até o momento para que o Estreito de Ormuz seja reaberto à navegação. O prazo dado por Trump para que um acordo seja fechado vai até 21h (pelo horário de Brasília).
Pela manhã, Trump subiu o tom contra o Irã e disse que "uma civilização inteira morrerá esta noite" se não for alcançado um acordo. Em contrapartida, uma fonte iraniana afirmou que "toda a região e a Arábia Saudita cairão na escuridão total com os ataques de retaliação do Irã".
Em reação, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$110 o barril durante o dia, reforçando preocupações de que os aumentos dos preços dos combustíveis possam impulsionar a inflação nos países, inclusive no Brasil.
A consequência foi nova elevação dos prêmios da curva a termo brasileira, em paralelo à queda do Ibovespa e à alta do dólar ante o real, com investidores demonstrando clara preferência por ativos mais seguros.
A taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima intradia de 13,980% (+15 pontos-base) às 12h10, para no restante da tarde desacelerar -- mas não o suficiente para zerar o movimento.
Como o prazo dado por Trump vence apenas à noite, eventuais consequências para a curva brasileira serão percebidas apenas na manhã de quarta-feira.
No mercado brasileiro, a principal dúvida ainda é se, com a guerra no Oriente Médio, o Banco Central terá espaço para acelerar o ciclo de cortes da Selic.
Na última quinta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 47,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic este mês, 24,00% de chance de aceleração do corte para 50 pontos-base e 19,50% de possibilidade de manutenção da taxa básica em 14,75%.
Entre os economistas de mercado, a expectativa é de novo corte de 25 pontos-base, como mostrou o boletim Focus da segunda-feira, já que a guerra no Oriente Médio tem elevado a perspectiva de inflação no Brasil.
Conforme relatório divulgado pela manhã pela Warren Rena, a inflação acumulada em 12 meses implícita nos títulos públicos brasileiros com vencimento em agosto deste ano estava em 5,20%, bem acima dos 3,83% de um mês atrás. A meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries tinham movimentos contidos neste fim de tarde, com os agentes à espera do fim do prazo dado ao Irã. Às 16h42, o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,323%.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta terça-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 14,235 14,175 0,06
JAN/28 13,905 13,83 0,075
JAN/29 13,795 13,713 0,082
JAN/30 13,82 13,748 0,072
JAN/31 13,85 13,785 0,065
JAN/35 13,895 13,852 0,043
(Edição de Isabel Versiani)