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Taxas dos DIs despencam mais de 30 pontos-base após intervenções do Tesouro

16 mar 2026 - 17h29
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As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira em baixa firme, superior ‌a 30 pontos-base em vários vencimentos, após o Tesouro Nacional realizar duas intervenções no mercado, recomprando títulos indexados à inflação e prefixados, para corrigir distorções na curva a termo brasileira em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio.

O cenário mais favorável no exterior, onde o barril do petróleo e as taxas dos Treasuries cediam, também favoreceu a baixa das taxas dos DIs, assim como um indicador de atividade do Banco Central (IBC-Br) abaixo do esperado em janeiro.

Em sintonia com o recuo firme do dólar ⁠ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 estava em 14,075% no fim da tarde, com baixa de ‌22 pontos-base ante o ajuste de 14,294% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,8%, com recuo de 36 pontos-base ante 14,155%.

No início do dia o Tesouro anunciou por meio de ‌nota o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados a índices de ‌preços (NTN-B) e títulos prefixados (LTN e NTN-F) programados para a terça e a quinta-feira desta semana, respectivamente. Já o leilão ⁠de títulos indexados à taxa básica Selic (LFT) programado para a terça-feira será mantido.

Além disso, o Tesouro anunciou que iria realizar, a partir desta segunda-feira, leilões de compra e venda de papéis para "oferecer suporte ao mercado de títulos públicos assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos".

Na esteira da nota, o Tesouro realizou duas intervenções no dia, uma pela manhã e outra à tarde.

Na primeira delas, às 10h30, o Tesouro recomprou 14,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,45 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série ‌F (NTN-F). Na segunda, às 15h30, recomprou 3,552 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B) e vendeu simultaneamente 150 mil do mesmo título.

"O ‌leilão do Tesouro ajudou a fazer a ⁠curva de prefixados ceder, aí ⁠isso aparece nos DIs", comentou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, chamando atenção também para o leilão de NTN-B. "A operação de compra e venda ⁠é para organizar as distorções na curva. E ajusta um pouco a ‌estrutura de financiamento."

Em meio aos leilões, as ‌taxas dos DIs tiveram quedas firmes em toda a curva. A taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu a mínima de 14,05% (-24 pontos-base) às 15h18 e às 15h34 -- neste caso, já durante o leilão de NTN-B. O DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 13,78% (-38 pontos-base) às 16h17, já após a segunda intervenção do Tesouro no ⁠dia.

Além do cenário mais favorável no exterior, ainda que a guerra continue, as taxas cederam em sintonia com o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,80% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal, menos do que a alta de 0,85% projetada por economistas ouvidos pela Reuters.

A movimentação das taxas acabou alterando a precificação para o encontro desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Durante a tarde, destacou a ‌analista Laís Costa, da Empiricus Research, a curva precificava 90% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic na quarta-feira, contra 10% de chance de manutenção. Na tarde de sexta-feira, no auge do estresse global com a guerra, os ⁠percentuais estavam em 65% e 35%, respectivamente. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.

Enquanto os investidores ajustam posições na curva e em mercados correlatos antes do encontro do Copom, as instituições financeiras também refazem suas projeções para a Selic. Várias delas alteraram sua expectativa de 50 pontos-base para 25 pontos-base de corte e, nesta segunda-feira, algumas mudaram de 25 pontos-base para manutenção.

Os economistas da XP passaram a ver manutenção da Selic na próxima quarta-feira, assim como a equipe da BGC Liquidez.

"Achamos que o BC vai se valer da cautela que ele colocou na última ata (do Copom) e vai passar este corte para abril", comentou Tavares. "Ele pode até ser levado a iniciar o ciclo de abril com corte mais intenso, de 50 pontos-base", acrescentou, lembrando que tudo dependerá do andamento da guerra e de seus impactos nas economias.

Nos EUA, os investidores também ajustavam suas posições para a decisão sobre juros do Federal Reserve, na próxima quarta-feira. Às 17h10, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 6 pontos-base, a 3,675%. Já o retorno do título de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 6 pontos-base, a 4,222%.

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