Taxas dos DIs descolam do exterior e fecham em queda com eleições no radar
As taxas dos DIs fecharam em queda nesta sexta-feira, descolando-se da alta dos Treasuries nos EUA. O alívio na curva de juros brasileira foi impulsionado pelo cenário eleitoral, onde pesquisas indicam disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, alimentando expectativas do mercado por maior rigor fiscal futuro. A conversa positiva entre Lula e Donald Trump sobre tarifas comerciais também favoreceu o apetite por ativos locais, compensando as incertezas externas sobre a dívida norte-americana.
As taxas dos DIs fecharam em queda nesta sexta-feira, com os agentes acompanhando o noticiário eleitoral, em movimento de ajuste descolado do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries avançaram.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,865%, ante o ajuste de 13,941% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,54%, ante o ajuste de 14,706%.
Os agentes aguardam a divulgação, no início da noite desta sexta-feira, de uma nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha sobre o cenário para as eleições presidenciais de outubro. Na última segunda-feira, levantamento BTG/Nexus mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em empate técnico em um eventual segundo turno, embora o petista continue numericamente à frente.
A perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada, com menor diferença de percentual de intenções de voto entre os principais candidatos, é bem-vista pelo mercado, que vê um risco fiscal maior em um eventual próximo mandato de Lula.
"As reações dos mercados financeiros, no geral, mostram uma preferência pela substituição do governo atual, acreditando que a eleição de um outro candidato possa permitir uma política fiscal mais conservadora. Por isso, a perspectiva de menor vantagem de Lula sobre Flávio tem favorecido o apetite por ativos nacionais", disse Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Os agentes também receberam de forma positiva a informação divulgada no início da tarde de que Lula conversou por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump, nesta sexta-feira, e ambos discutiram as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, segundo o Palácio do Planalto.
Enquanto isso, no exterior, os rendimentos dos Treasuries passaram o pregão operando em alta. Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 4 pontos-base, a 4,738%. O retorno do papel de 30 anos avançava 4 pontos-base, a 5,278%.
O avanço dos rendimentos dos Treasuries se dá em meio a questionamentos dos investidores em relação aos esforços do Tesouro dos Estados Unidos para acalmar os mercados de títulos.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na quinta-feira que poderá aumentar ainda mais as recompras de títulos do Tesouro pelo governo, um dia depois de o departamento ter surpreendido os mercados com a promessa de duplicar o volume de recompras de dívida de longo prazo para conter os rendimentos dos títulos. Contudo, analistas argumentaram que os esforços para conter os rendimentos de longo prazo podem apenas transferir a pressão para outros setores dos mercados americanos.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta sexta-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterio (p.p.)
a.a.) r (%
a.a.)
JAN/27 13,705 13,727 -0,022
JAN/28 13,865 13,941 -0,076
JAN/29 14,16 14,273 -0,113
JAN/30 14,345 14,486 -0,141
JAN/31 14,43 14,589 -0,159
JAN/35 14,54 14,706 -0,166
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