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Taxas dos DIs descolam do exterior e fecham em queda com eleições no radar

21 ago 2026 - 16h51
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Resumo
As taxas dos DIs fecharam em queda nesta sexta-feira, descolando-se da alta dos Treasuries nos EUA. O alívio na curva de juros brasileira foi impulsionado pelo cenário eleitoral, onde pesquisas indicam disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, alimentando expectativas do mercado por maior rigor fiscal futuro. A conversa positiva entre Lula e Donald Trump sobre tarifas comerciais também favoreceu o apetite por ativos locais, compensando as incertezas externas sobre a dívida norte-americana.

As taxas dos DIs ‌fecharam em queda nesta sexta-feira, com os agentes acompanhando o noticiário eleitoral, em movimento de ajuste descolado do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries avançaram.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,865%, ante o ajuste de 13,941% da sessão anterior. Na ponta longa da ⁠curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,54%, ‌ante o ajuste de 14,706%.

Os agentes aguardam a divulgação, no início da noite desta sexta-feira, de uma nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha ‌sobre o cenário para as eleições presidenciais de ‌outubro. Na última segunda-feira, levantamento BTG/Nexus mostrou que o presidente Luiz ⁠Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em empate técnico em um eventual segundo turno, embora o petista continue numericamente à frente.

A perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada, com menor diferença de percentual de intenções de voto entre os principais candidatos, é bem-vista pelo mercado, que vê um risco ‌fiscal maior em um eventual próximo mandato de Lula.

"As reações dos mercados financeiros, ‌no geral, mostram uma preferência ⁠pela substituição do ⁠governo atual, acreditando que a eleição de um outro candidato possa permitir uma política fiscal ⁠mais conservadora. Por isso, a perspectiva de ‌menor vantagem de Lula sobre ‌Flávio tem favorecido o apetite por ativos nacionais", disse Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Os agentes também receberam de forma positiva a informação divulgada no início da tarde de que Lula conversou ⁠por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump, nesta sexta-feira, e ambos discutiram as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, segundo o Palácio do Planalto.

Enquanto isso, no exterior, os rendimentos dos Treasuries passaram o pregão operando em alta. Às 16h35, o rendimento do Treasury de ‌dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 4 pontos-base, a 4,738%. O retorno do papel de 30 anos avançava 4 pontos-base, a 5,278%.

O avanço ⁠dos rendimentos dos Treasuries se dá em meio a questionamentos dos investidores em relação aos esforços do Tesouro dos Estados Unidos para acalmar os mercados de títulos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na quinta-feira que poderá aumentar ainda mais as recompras de títulos do Tesouro pelo governo, um dia depois de o departamento ter surpreendido os mercados com a promessa de duplicar o volume de recompras de dívida de longo prazo para conter os rendimentos dos títulos. Contudo, analistas argumentaram que os esforços para conter os rendimentos de longo prazo podem apenas transferir a pressão para outros setores dos mercados americanos.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta sexta-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterio (p.p.)

a.a.) r (%

a.a.)

JAN/27 13,705 13,727 -0,022

JAN/28 13,865 13,941 -0,076

JAN/29 14,16 14,273 -0,113

JAN/30 14,345 14,486 -0,141

JAN/31 14,43 14,589 -0,159

JAN/35 14,54 14,706 -0,166

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