Taxas dos DIs caem com investidores ponderando exterior, IPCA-15 e Datafolha
As taxas dos DIs operam em queda nesta sexta-feira, influenciadas pelo alívio no preço do petróleo, apesar da alta nos rendimentos dos Treasuries. No cenário doméstico, os investidores repercutem a pesquisa Datafolha, que aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, e o IPCA-15 de setembro, que subiu 0,70%, superando as projeções do mercado. Mesmo com a prévia da inflação mais alta, analistas avaliam que o resultado não altera as expectativas para a Selic no curto prazo.
Após avançarem nas duas sessões anteriores, as taxas dos DIs operavam em baixa nesta manhã de sexta-feira em uma sessão de queda do petróleo, alta dos rendimentos dos Treasuries e novos dados sobre a inflação e a disputa eleitoral no Brasil.
Às 10h32, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,645%, em baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,667% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,98%, com baixa de 7 pontos-base ante 14,054%.
Depois de disparar nos últimos dias, o petróleo Brent cedia nesta manhã, mas ainda se mantendo em nível elevado, perto dos US$105 o barril, em meio a preocupações em torno da guerra no Oriente Médio.
Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos voltaram a avançar nesta manhã, para perto dos 5,20% e 5,50% respectivamente.
No Brasil, a curva exibia perdas, com os investidores ponderando não apenas o cenário externo, mas também os números mais recentes da pesquisa Datafolha e do IPCA-15.
O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiu com vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Lula tem 47% e Flávio soma 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Na semana passada Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, houve alta de 4,47% em setembro, contra 4,24% em agosto. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% em setembro e 4,30% em 12 meses.
A abertura do indicador mostrou que a alta dos serviços passou de 0,07% em agosto para 0,59% em setembro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que excluem alguns itens mais voláteis, passou de 0,50% para 0,28%, conforme cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra variou de 0,55% para 0,56%.
Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central foi de 0,22% para 0,34%.
Para Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o resultado do IPCA-15 de setembro não altera o cenário atual para a taxa básica Selic, atualmente em 13,75%. Segundo ele, um novo corte da taxa pelo Banco Central no início de novembro dependerá da dinâmica do boletim Focus -- que hoje projeta mais uma redução de 25 pontos-base.
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