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Taxas curtas fecham com altas leves em dia de noticiário eleitoral intenso

31 ago 2026 - 16h53
(atualizado às 17h57)
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Resumo
As taxas dos DIs fecharam em alta nesta segunda-feira, reagindo à suspensão da campanha de Renan Santos pelo TSE, evento visto pelo mercado como favorável à reeleição de Lula e de risco fiscal. O cenário doméstico, marcado por pesquisas eleitorais acirradas e avanço da dívida bruta para 82,5% do PIB, somou-se à pressão externa gerada pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries americanos após tensões militares entre EUA e Irã.

As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a segunda-feira com altas leves após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspender a campanha do empresário Renan Santos (Missão) à Presidência, em uma sessão marcada ainda por duas novas pesquisas eleitorais no Brasil e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,815%, com alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,779% ⁠da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,58%, com baixa de ‌1 ponto-base ante 14,589%.

No início da tarde as taxas futuras vinham exibindo baixas leves, mas uma decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE, alterou o cenário. Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral de Renan Santos em ‌sites, blogs e outros aplicativos não informados à Justiça Eleitoral.

Ele também ‌barrou repasses do fundo partidário e o direito de Renan Santos participar de debates em meios de ⁠comunicação, entre outras determinações.

Conforme a decisão, a candidatura de Renan Santos contava com dois perfis irregulares nas redes sociais que estavam divulgando conteúdos favoráveis a ele, com milhares de seguidores.

Após a notícia sobre a punição ser divulgada na imprensa, as taxas dos DIs ganharam força, migrando para o território positivo em vários vencimentos. Dois profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a notícia foi mal-recebida pelo mercado, que vê a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula ‌da Silva (PT) -- líder nas pesquisas -- como um empecilho para o ajuste fiscal.

Após marcar a cotação mínima intradia de 13,740% (-4 pontos-base) ‌às 9h07, ainda no início da ⁠sessão, a taxa do DI ⁠para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 13,820% (+4 pontos-base) às 15h37, já depois da notícia sobre Renan Santos. Na ponta ⁠longa da curva as taxas também ganharam força, se reaproximando da ‌estabilidade.

No início do dia, duas pesquisas ‌eleitorais apontaram que a disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue acirrada.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno da disputa presidencial, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro -- uma diferença menor que a vista em julho, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, ⁠respectivamente. A margem de erro é de 1 ponto percentual.

Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% no segundo turno, contra 45% de Flávio, com os dois em empate técnico já que a margem de erro é de dois pontos percentuais.

No mercado, parte dos agentes avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, uma disputa mais acirrada entre ‌Lula e Flávio tem sido percebida como um fator baixista para o dólar e para a curva de juros.

Pela manhã, durante evento do BTG Pactual em São Paulo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que a ⁠atual regra fiscal do país seja reforçada, e não substituída, e disse que algumas políticas sociais podem deixar de ser "obrigatórias" no Brasil, entrando na classificação de "controle de fluxo", que dá maior flexibilidade na execução.

Durigan prometeu ainda que a partir de 2027 o governo terá superávits primários "crescentes e recorrentes" e disse que é preciso avançar na agenda para levar a taxa de juros brasileira a um patamar civilizado.

Impactada pelos resultados fiscais, entre outros fatores, a dívida bruta brasileira subiu de 81,9% em junho para 82,5% em julho, informou mais cedo o Banco Central.

O cenário externo, por sua vez, trouxe um impulso altista para as taxas dos DIs nesta segunda-feira. Isso porque os Estados Unidos realizaram no domingo um ataque na ilha iraniana de Larak, enquanto o Irã respondeu disparando contra forças norte-americanas estacionadas na Jordânia.

As ações militares impulsionaram o preço do petróleo Brent para acima dos US$90 o barril, reforçando as preocupações inflacionárias, enquanto os rendimentos dos Treasuries de longo prazo avançaram.

Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3 pontos-base, a 4,748%.

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