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STF só terá igualdade quando as 11 cadeiras forem ocupadas por mulheres, afirma Cármen Lúcia

No Summit Mulheres nas Profissões, a ministra discutiu desigualdade de gênero e violência contra a mulher e ainda criticou ditadura da magreza

4 ago 2026 - 18h28
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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Corte só alcançará igualdade de gênero quando as 11 cadeiras forem ocupadas por mulheres. Ela direcionou a declaração a uma plateia lotada, em uma das palestras mais aguardadas do primeiro dia do Summit Mulheres nas Profissões, evento organizado pela empresária Luiza Trajano, nesta terça-feira, 4.

"Quando me perguntam quando o Supremo Tribunal Federal terá igualdade de homens e mulheres nas cadeiras, eu respondo: quando as 11 forem de mulheres", disse. "Porque nós tivemos sempre 11 homens dizendo que sabiam o que a gente queria. Ninguém sabe o que a gente quer. Quem sabe o que a gente quer é a gente mesmo."

A ministra também criticou a ditadura da beleza com o aumento de casos de magreza extrema. Ao longo da palestra, a ministra afirmou que, embora o princípio da igualdade esteja previsto em leis, constituições e tratados internacionais, as mulheres ainda vivem em situação de desigualdade.

"Resolveram impor que nós, mulheres, temos de ter 40 quilos. Fico preocupada quando vejo mulheres fazendo todo tipo de cirurgia, não para se contentar, mas porque o marido ou o parceiro tem gordofobia. Ele não gosta de você, minha filha. Qual é a parte que você não entendeu?", disse, de forma bem-humorada.

O Brasil dispõe de legislação que garante igualdade de oportunidades, mas a realidade está distante do previsto nas normas. "Não há democracia forte sem que haja a garantia de igualdade pra todas as mulheres e homens", afirmou.

A ministra Cármen Lúcia falou no Summit Mulheres nas Profissões
A ministra Cármen Lúcia falou no Summit Mulheres nas Profissões
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Violência contra a mulher

Na palestra, que durou em torno de 40 minutos, a ministra também chamou atenção para desafios que agravam a desigualdade de gênero, como a violência contra a mulheres, os crimes sexuais e a cultura machista.

"Quem está matando as mulheres são os parceiros e os amigos, no espaço mais sagrado da convivência, o lar", reforçou. No Brasil, 80% dos casos de feminicídios no Brasil envolvem parceiros e ex-parceiros, de acordo com dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

'Não há democracia forte sem que haja a garantia de igualdade pra todas as mulheres e homens', afirma Cármen Lúcia
'Não há democracia forte sem que haja a garantia de igualdade pra todas as mulheres e homens', afirma Cármen Lúcia
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Como forma de enfrentar esse cenário, a ministra listou três compromissos para a plateia. Um deles é o investimento em educação para promover uma cultura de respeito e igualdade entre meninos e meninas desde a infância.

O segundo é a luta pelos direitos e a união entre as mulheres. "Não se ganha, se conquista", orientou.

O terceiro inclui campanhas, inclusive uma que está liderando com previsão de lançamento em novembro, intitulado "Levante, mulher", que prevê protestar por meio do uso de tarjas em prol de mulheres que foram mutiladas.

A ministra participou do evento como autora do livro Pela mão do povo - Democracia e voto no Brasil. "É preciso que isso valha dentro de casa, quando o parceiro diz: 'Pode deixar, eu sei o que você quer, eu resolvo'. Não. Quem sabe de mim sou eu", afirmou.

Estadão
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