Stephen Kanitz elege os culpados pela crise econômica
- Guilherme Mergen
- Direto de Porto Alegre
No terceiro painel do 23º Fórum da Liberdade, nesta terça-feira, em Porto Alegre, o assunto proposto para o debate - a inflação - tornou-se secundário para a discussão de um tema recorrente no evento: a crise financeira mundial, desencadeada em setembro de 2008. Ao contrário da maioria dos colegas, que apontam a "ganância" como causadora da instabilidade no setor financeiro, o consultor de empresas Stephen Kanitz culpou a dívida americana aliada às políticas de juros e de incentivo fiscal, adotada a partir dos anos 80.
"Estou há mais de um ano ouvindo que essa crise foi causada pela ganância do sistema. É mentira. O egoísmo não é suficiente para vender milhares de produtos. Pelo contrário, egoísmo não vende. Temos de analisar a goteira, o começo de tudo. A crise precisou de incentivo, que foi a dívida pública aliada às políticas de juros e de incentivo fiscal neokeynesiano", disse o consultor, aplaudido.
Durante sua apresentação, Kanitz afirmou várias vezes seu posicionamento não liberal, ao contrário de Thomas Woods, fellow sênior do Instituto Ludwig Von Mises, que o antecedeu no painel. "Quero reclamar de vocês, que ensinam aos alunos que milhares de produtos chegam às mesas deles na hora certa, no preço certo, graças a mão invisível do mercado. É graças a dedicação de administradores e supervisores, que vocês negam o trabalho", disse aos professores que acompanhavam o debate.
Estado é uma arma
Antes da injeção de ânimo de Kanitz nos administradores - afinal, ele é consultor de empresas -, Tom Woods, um colecionador de títulos de renomados institutos como Harvard e Columbia, declarou guerra ao Estado ao culpá-lo pelo "bicho de sete cabeças" da inflação. "De 1900 até 2010, a situação da inflação só piorou. Essa desvalorização absurda do dinheiro é protagonizada pelo Estado. Aliás, o Estado nada mais é do que uma arma apontada para as nossas cabeças", disse.
Para afastar o constante risco de inflação sobre as economias, o fellow sênior defendeu uma revisão nas leis que privilegiam o que chamou de "produção de dinheiro" nos países, principalmente nos Estados Unidos. "Precisamos de uma nova estrutura, que impeça essa produção desenfreada de dinheiro, que o desvaloriza. No entanto, não podemos esperar isso do Estado. Pelo contrário, temos de nos separar dele. Todas as parcerias público-privadas deveriam ser banidas", afirmou.
Por último, ao encerrar sua apresentação, o americano, autor do best seller New Your Times, afirmou que, como os governos são os principais responsáveis pela inflação, aspessoas são obrigadas a se tornar especuladoras para proteger o poder de compra da moeda.