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Stephen Kanitz elege os culpados pela crise econômica

13 abr 2010 - 14h39
(atualizado em 14/4/2010 às 12h24)
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Guilherme Mergen
Direto de Porto Alegre

No terceiro painel do 23º Fórum da Liberdade, nesta terça-feira, em Porto Alegre, o assunto proposto para o debate - a inflação - tornou-se secundário para a discussão de um tema recorrente no evento: a crise financeira mundial, desencadeada em setembro de 2008. Ao contrário da maioria dos colegas, que apontam a "ganância" como causadora da instabilidade no setor financeiro, o consultor de empresas Stephen Kanitz culpou a dívida americana aliada às políticas de juros e de incentivo fiscal, adotada a partir dos anos 80.

Stephen Kanitz mostra um novo enfoque sobre as causas da crise econômica mundial
Stephen Kanitz mostra um novo enfoque sobre as causas da crise econômica mundial
Foto: Raphael Falavigna / Redação Terra

"Estou há mais de um ano ouvindo que essa crise foi causada pela ganância do sistema. É mentira. O egoísmo não é suficiente para vender milhares de produtos. Pelo contrário, egoísmo não vende. Temos de analisar a goteira, o começo de tudo. A crise precisou de incentivo, que foi a dívida pública aliada às políticas de juros e de incentivo fiscal neokeynesiano", disse o consultor, aplaudido.

Durante sua apresentação, Kanitz afirmou várias vezes seu posicionamento não liberal, ao contrário de Thomas Woods, fellow sênior do Instituto Ludwig Von Mises, que o antecedeu no painel. "Quero reclamar de vocês, que ensinam aos alunos que milhares de produtos chegam às mesas deles na hora certa, no preço certo, graças a mão invisível do mercado. É graças a dedicação de administradores e supervisores, que vocês negam o trabalho", disse aos professores que acompanhavam o debate.

Estado é uma arma

Antes da injeção de ânimo de Kanitz nos administradores - afinal, ele é consultor de empresas -, Tom Woods, um colecionador de títulos de renomados institutos como Harvard e Columbia, declarou guerra ao Estado ao culpá-lo pelo "bicho de sete cabeças" da inflação. "De 1900 até 2010, a situação da inflação só piorou. Essa desvalorização absurda do dinheiro é protagonizada pelo Estado. Aliás, o Estado nada mais é do que uma arma apontada para as nossas cabeças", disse.

Para afastar o constante risco de inflação sobre as economias, o fellow sênior defendeu uma revisão nas leis que privilegiam o que chamou de "produção de dinheiro" nos países, principalmente nos Estados Unidos. "Precisamos de uma nova estrutura, que impeça essa produção desenfreada de dinheiro, que o desvaloriza. No entanto, não podemos esperar isso do Estado. Pelo contrário, temos de nos separar dele. Todas as parcerias público-privadas deveriam ser banidas", afirmou.

Por último, ao encerrar sua apresentação, o americano, autor do best seller New Your Times, afirmou que, como os governos são os principais responsáveis pela inflação, aspessoas são obrigadas a se tornar especuladoras para proteger o poder de compra da moeda.

Fonte: Redação Terra
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