‘Só no civil?’: Opção tem sido escolhida por casais que preferem festa econômica e intimista
Em 2022, foram registrados em cartório mais de 900 mil casamentos; veja o que é necessário
"Mas vai ser só no civil?" Há sempre quem questione quando os noivos anunciam a decisão de um casamento mais "simples". Claro que todos amamos uma boa festa com flores, bolos, vestido branco e tudo o que se tem direito, porém, casar apenas com registro no cartório tem sido uma opção atraente para casais.
Os motivos podem variar, mas, para os especialistas e casais com quem o Terra conversou, quase sempre tem a ver com economia e intimidade. Celebrar o momento de forma intimista, com um menor custo e com a possibilidade de redirecionar o valor que seria gasto em uma festa para uma lua de mel dos sonhos, por exemplo, estão entre essas motivações - e isso não torna o momento menos especial.
Os advogados Wagner Luiz Ribeiro da Costa e Ghabryela dos Anjos Costa, de 29 e 25 anos, escolheram a opção que consideraram mais econômica. Casados há três anos, o casal preferiu utilizar o dinheiro que seria destinado para a cerimônia e a festa, e aplicar em uma viagem de 10 dias em Fortaleza (CE).
“Na época, até tínhamos condições, mas consideramos que seria um dinheiro mal gasto, de certa forma. Então, a gente optou por fazer algo mais simples, bonito, que agradaria aos dois, mas que não gastasse tanto dinheiro e pudesse investir até mais na lua de mel, que era algo que íamos realmente aproveitar”, explicou Ghabryela ao Terra.
“Fizemos diversas cotações, desde de casamentos mega produzidos até o mais intimista, e chegamos a conclusão que era um gasto elevado. Era um dinheiro que eu não veria e o povo ainda ia sair reclamando”, complementa Wagner. “Queríamos a cerimônia na igreja, porque é muito bonita, mas, no final, tudo tem que terminar no cartório, pois o religioso não tem validade civil, então conversamos e decidimos dessa forma”.
Altos valores
De acordo com o casal, que mora em Goiás, totalizando todos os gastos para um casamento tradicional com festa e uma média de 300 convidados, desembolsariam algo em torno de R$ 100 mil. Depois de ver o valor exorbitante, tentaram com uma quantidade menor de convidados e abriram mão de algumas opções, deixando o custo em R$ 46 mil. A última opção era algo mais intimista, em um restaurante com área para eventos para até 80 pessoas, e ficaria em R$ 14 mil.
Já o casamento civil, incluindo gasto do cartório, vestido, terno, alianças, a preparação dos dois e um restaurante, onde comemoram depois da cerimônia com a família, ficou em torno de R$ 4,9 mil. “Teve o mesmo efeito, saiu mais barato e foi até menos estressante, pois não foi preciso tanta organização”, comentou Ghabryela.
A recém-casada e desenvolvedora de vendas Rayane Pires Marques, de 24 anos, ainda suspira quando toca no assunto do casamento. Ela e o marido Eduardo Bessa dos Santos, de 26, optaram há cinco meses apenas pelo casamento civil. Porém, não foi apenas a questão financeira que levaram em consideração no momento da escolha, mas também o estilo do casal.
“Nem cogitamos o religioso porque não seguimos nenhuma religião. Então, para a gente era algo indiferente [para a escolha]”, comenta Rayane. “Queríamos oficializar. Eu mais ainda, pois já vi histórias tristes de mulheres em que o marido falecia e ela não tinha como provar a união estável e não tinham direito a nada, ou em caso de divórcio, em que não tem ali uma comunhão de bens definidas”.
A jovem conta que tinha apenas uma noção do quanto ficaria uma cerimônia tradicional, através de pessoas do seu círculo social que já tinham se casado, e já imaginava que ela e o companheiro não conseguiriam arcar com os custos. “Sabia que estava muito fora do nosso orçamento, pois não ficaria menos de 15 mil”, explica.
“Com o civil gastamos menos de R$ 3 mil para fazer tudo, em Aparecida de Goiânia. Pesquisei os valores e descobri que variam de cartório para cartório, e achei mais em conta lá”, acrescenta.
Dentro desse valor, Rayne explica que está incluso o cartório, o vestido, o terno, o restaurante em que foram com a família e amigos, e a lua de mel. O casal planeja ainda realizar uma comemoração maior quando completarem 10 anos de casados.
“Foi muito gostoso celebrar aquele momento com as pessoas que realmente precisavam estar ali. [...] Todo mundo ficou muito feliz. Foi um dia muito feliz”, relembra. “As pessoas estão buscando por algo mais intimista, não estão pensando em fazer as coisas para os outros e, sim, para o casal”.
O que é necessário para casar no civil?
Após um ano com tantos anúncios de separações, o amor não “morreu”. Segundo dados da ARPEN Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), no ano de 2022, foram registrados 941.772 casamentos em cartórios. E até o fim do mês de setembro deste ano, foram registrados 709.063.
Confira quais documentos são necessários para oficializar o registro no Brasil:
- Certidão de nascimento, para os solteiros;
- Certidão de casamento averbada, para os divorciados;
- Certidão de casamento averbada ou certidão de óbito do cônjuge, para os viúvos;
- Documento de identidade com foto;
- Comprovante de residência.
“Nesse momento, também é preciso apresentar duas testemunhas, que não precisam ser as mesmas que comparecerão no dia do casamento. Elas devem ser maiores de 18 anos e podem ser parentes. Além disso, devem levar um documento de identificação e declarar, no dia da habilitação, que conhecem os noivos e que não existem impedimentos legais para o matrimônio”, explica a instituição.
Para oficializar em cartório, é necessário pagar uma taxa. Segundo a Arpen, os valores das taxas e emolumentos para o registro de casamento são definidos por lei estadual e, no Brasil, essas taxas podem variar entre os Estados. "Normalmente, os custos envolvem a taxa para habilitação do casamento, a celebração civil, que é a cerimônia, e a emissão da certidão de casamento. Os valores atualizados podem ser conferidos nas tabelas de emolumentos de cada Estado".