Roteiro ecoturístico é mais caro que pacote convencional
"É uma viagem de contemplação a natureza", define Elen Yamada, diretora da agência Natural Ecoturismo. O som dos ventos nas árvores, os pés na grama ou na terra, dias e noites de caminhada e uma paisagem que se afasta da Torre Eiffel, da Basílica de São Pedro no Vaticano e da Igreja Sagrada Família. Quem procura o ecoturismo quer algo diferente do que é proposto pelos pacotes de viagem considerados tradicionais. Quer exatamente o que descreve Elen: o contato com o ambiente.
De acordo com o Instituto EcoBrasil de Ecoturismo e Turismo Sustentável, o termo designa o tipo de atividade capaz de cumprir os princípios básicos do desenvolvimento sustentável. Devem ser roteiros que promovem o aprendizado por meio da troca de conhecimentos com comunidades visitadas e que respeite aspectos ambientais e culturais. O conceito esteve presente nas experiências da viajante e hoje diretora de agência especializada na cetegoria. Em uma travessia com paradas à noite para acampamento, Elen conta que experimentou uma sensação de satisfação. "A gente levava tudo, montava a barraca e fazia comida. Eu nunca tinha feito uma viagem assim. O contato com a natureza faz com que a gente se conheça mais".
Apesar das vastas opções de roteiros ecoturísticos no Brasil, não é só no cenário daqui que experiências como a de Elen podem acontecer. A lista de destinos é composta por localidades em todos os continentes. Os preferidos dos clientes da Natural Ecoturismo são Patagônia, Machu Picchu, Deserto do Atacama e Nepal. Já a diretora da Adventure Club, agência também especializada em roteiros de ecoturismo, Eliane Leite, observa que os brasileiros estão procurando viagens para a África e a Ásia. Em território nacional, os destinos mais visados são Fernando de Noronha, Japalão e Chapadas.
Quem procura fazer uma viagem do tipo pode montar o roteiro com as opções que melhor se adequarem as suas expectativas. Safári, ciclismo, trekking - caminhada em uma trilha - e rafting são algumas das possibilidades que podem compor a aventura. Entretanto, os programas não incluem necessariamente acampamentos, e a hospedagem pode ser feita em hóteis, pousadas ou albergues.
Um pacote para Machu Picchu com a chamada trilha Inca Clássica, pela Natural Ecoturismo, é um exemplo. Durante os quatro dias de caminhada, os aventureiros dormem três noites em barracas. O restante do período é passado em hóteis. A opção ecônomica deste pacote, em baixa temporada, custa entre US$ 1.850 e US$ 2.420 sem inclusão da parte aérea. Um pacote com acesso a Machu Picchu por outros meios custa de US$ 1.260 a US$ 1.890. O primeiro roteiro é feito em 10 dias, e o segundo em sete, já que para fazer a trilha são necessários mais dias no pacote. Mesmo com essa diferença, Elen afirma que no geral os roteiros que incluem hospedagem fora de hotéis são mais baratos.
Algumas viagens fechadas por agências especializadas na categoria já têm alguns equipamentos para acampar inclusos, como barracas, suas estruturas e um grupo para levar o material. "Já colocamos tudo daqui, mas mandamos um check-list para que o cliente saiba o que deve levar, como lanternas e roupas adequadas para a temperatura e o ambiente", explica Eliane. Em alguns locais, ainda é necessário levar capa para chuva e proteção contra ventos muito fortes. Em trilhas com bicicleta, o viajante pode optar por alugar uma no local ou levar sua própria de casa.
Atendimento mais especializado pode encarecer pacotes
Com todas essas especificidades, praticar turismo ecológico pode sair algumas vezes mais caro do que uma viagem para uma cidade turística da Europa. A necessidade de guias mais especializados e uma atendimento mais específico são alguns dos fatores que podem elevar o preço do passeio. "Para ir a Europa, o máximo que você precisa saber é a temperatura de lá. Os roteiros de eco precisam de uma consultoria mesmo, de todos os detalhes. Uma informação mal dada pode estragar a viagem toda", argumenta Elen Yamada. Além disso, os grupos levados são menores para facilitar o atendimento.
Apesar dos valores um pouco mais elevados, a diretora da Natural Ecoturismo afirma que a experiência é muito válida e conta que depois de começar a fazer os roteiros implantou atividades ecoturísticas a seus passeios tradicionais. "Eu sempre acabo fazendo uma caminhada dentro da cidade, por exemplo. Totalmente convencional nunca é", reafirma Elen.
Para aproveitar a viagem, a palavra-chave é informação. "Minha dica é que realmente se faça uma pesquisa com empresas que conheçam o destino ou estão acostumadas a trabalhar com ele", aconselha a diretora da Adventure Club. O cliente também deve buscar se informar sobre os equipamentos necessários e ficar atento ao que for solicitado pela agência e pelos guias.