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Robôs com IA estão perto de virar realidade, diz diretor da Prosus, que controla iFood e OLX

Shuhao Shi, da Prosus, conta que empresas chinesas estimam que o momento de virada para a robótica será em 2030

16 set 2026 - 17h28
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Resumo
Segundo Shuhao Shi, da Prosus, a virada da IA na robótica deve ocorrer até 2030, tornando humanoides multifuncionais e dispensando treinos específicos. A China lidera essa automação em fábricas e serviços, impulsionada por pesquisas da Universidade Tsinghua. Embora custos de US$ 100 mil e escassez de dados físicos ainda sejam entraves, o avanço migrará da indústria para os lares. No mercado chinês, a IA já virou commodity barata e acessível, lucrando via serviços agregados e uso popular massivo.

Para Shuhao Shi, diretor na Prosus, que controla iFood e OLX, o momento de virada de chave para a inteligência artificial (IA) na robótica está próximo, e a China já conta com diversos robôs em fábricas e realizando funções antes feitas por humanos.

"Estive na China e falei com as 16 principais empresas do país porque queríamos investir em algumas delas. Normalmente, a primeira pergunta que fizemos a eles era 'quando será o momento ChatGPT 3.0 para as companhias de robótica. 80% delas disseram que será em 2030. A definição do momento GPT para o robô humanóide é que não precisaremos treiná-lo para fazer uma tarefa diferente", afirmou Shi, durante o evento Vale do Silício @Brasil, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No momento, um fator limitante para a popularização de robôs com inteligência artificial é o custo por unidade, estimado em US$ 100 mil (R$ 510 mil, em conversão direta). O segundo gargalo, diz, está nos dados. Para ele, existe uma lacuna gigantesca entre a quantidade de dados exigida por modelos de IA tradicionais e a necessária para criar modelos tridimensionais, ou físicos, de robótica.

"Se os robôs não forem muito úteis, eu acho que poucas pessoas ou indústrias vão querer testá-los agora. Mas, no futuro, os robôs serão prioridade e eles se tornarão parte da vida dos consumidores", diz.

Como exemplos práticos de automação na China, Shi cita terminais portuários operando sem trabalhadores humanos desde 2018, robôs de serviço de quarto em hotéis e fábricas de carros elétricos (como a da Xiaomi) capazes de operar no escuro.

Shuhao Shi, diretor na Prosus, diz que IA será uma commodity na China
Shuhao Shi, diretor na Prosus, diz que IA será uma commodity na China
Foto: Monking BR/Divulgação / Estadão

Ele estima que 200 empresas chinesas estejam em busca da popularização dos robôs com IA e que cerca de 60% a 70% das iniciativas em IA corporificada e robótica na China estão ligadas a alunos e laboratórios da Universidade Tsinghua.

Para Shi, depois da adoção dos robôs na indústria, o próximo passo será a criação de robôs domésticos.

IA será commodity na China?

Segundo Shi, a IA não é vista como uma tecnologia na China, mas apenas como um produto, algo que as pessoas precisam utilizar no dia a dia. Por isso, as empresas chinesas não estão preocupadas com a aquisição de novos clientes para seus planos de assinatura de IA.

"Uma das lógicas fundamentais do mercado chinês é que a oferta quase sempre supera a demanda. Assim, todos competem pela preferência do usuário final. Se você compreender essa lógica, perceberá que, para o cliente, o custo da IA ??acaba sendo praticamente nulo. Afinal, se alguém cobrar 1 RMB, haverá outro oferecendo o serviço por 0,5 RMB, ou 0,3 RMB", afirma.

Ele explica que os modelos de negócios para a IA são diferentes das empresas americanas, e que o foco das companhias chinesas de IA não é apenas criar modelos mais avançados. "Na realidade, o foco é desenvolver modelos que possam ser utilizados por qualquer pessoa", diz.

Shi conta que, com a adoção em massa, o produto ganha solidez no mercado e novos serviços agregados podem ser vendidos pelas organizações. Ou seja, embora o lucro não seja direto com a IA, as empresas ganham com serviços ligados à tecnologia, como atendimento ao cliente ou comissões de vendas.

Para exemplificar como a IA tem sido usada pela população chinesa, Shi conta que ela começou a se popularizar não pelas pessoas com mais estudo, mas por pessoas que usavam a tecnologia para tradução de conversas com estrangeiros ou para editar fotos.

"Elas nem sequer percebem que estão usando IA, mas são elas que tornam a tecnologia extremamente popular no mercado chinês. E, com essa grande popularidade, gera-se um volume enorme de dados", afirma.

Estadão
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