Ibovespa fecha em queda após Fed elevar juro e sinalizar mais aperto
O Ibovespa recuou 0,51%, aos 185.547 pontos, impactado pela decisão do Federal Reserve de elevar os juros nos EUA para a faixa de 3,75% a 4,00% e sinalizar novos apertos. A cautela externa reduziu o diferencial de juros com o Brasil, às vésperas do corte da Selic pelo Copom. O pregão na B3 também foi pressionado pela queda das ações da Petrobras e da Vale, refletindo o recuo do petróleo lá fora, enquanto o setor varejista registrou ganhos com o alívio nas taxas dos DIs mais longos.
O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, renovando mínima da sessão à tarde, após o banco central dos Estados Unidos elevar a taxa básica de juros na maior economia do mundo e sinalizar mais uma alta neste ano.
Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa recuou 0,51%, a 185.547,66 pontos, após marcar 186.738,25 na máxima e 184.753,98 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$72,48 bilhões, em pregão também marcado por vencimento de opções sobre o Ibovespa.
A B3 fechou com investidores na expectativa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, com as apostas indicando redução da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano.
"A bolsa passou o dia refém da 'superquarta' e o pregão foi mais de posicionamento do que de convicção", afirmou o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan.
Nos EUA, no meio da tarde, o Federal Reserve promoveu o primeiro aperto monetário desde 2023 ao elevar a taxa básica de juros overnight em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, em decisão unânime.
Novas projeções também mostraram que 16 autoridades do Fed preveem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto até o final deste ano, enquanto duas estimam estabilidade.
Na entrevista à imprensa após o anúncio da decisão, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a economia dos EUA se fortaleceu desde junho, enquanto as tendências da inflação mostraram pouca melhora.
"A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio", afirmou.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou com declínio de 0,45%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 5,0205% no final do dia, de 4,996% na véspera.
De acordo com Trevisan, a alta de 0,25 ponto estava no preço e havia expectativa de uma sinalização de um ciclo mais longo de aperto. Mas o comunicado foi firme ao falar em acelerar o retorno da inflação à meta, ressaltou.
Ele destacou que a decisão ocorre no mesmo dia em que o Copom deve cortar a Selic, encolhendo o diferencial de juros entre os dois países.
"Para o investidor estrangeiro, parte da vantagem de manter recursos em reais desaparece, justamente às vésperas de uma eleição decisiva e com o crédito corporativo sob estresse", afirmou.
"Minha leitura é que o Copom perde espaço para acelerar o ciclo e deve seguir decidindo reunião a reunião, com muita cautela na comunicação", acrescentou.
Para Trevisan, o que vai definir o pregão de quinta-feira na B3 não é o corte da Selic, e sim o comunicado. "Eu espero um Banco Central cauteloso, sem se comprometer com a continuidade do ciclo."
Dados atualizados da B3 mostraram mais um dia com saída líquida das ações brasileiras. Até o dia 14, o saldo de capital externo estava positivo em R$7 bilhões em setembro. Na conta até o dia 11, eram R$7,3 bilhões.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN recuou 3,53% e PETROBRAS ON perdeu 4,27%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em baixa de 2,69%, a US$105,83, pressionando também outras petrolíferas na B3.
• BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 3,04%, ganhando fôlego na segunda etapa do pregão, em dia misto para o setor no Ibovespa. ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,12%, BRADESCO PN encerrou com variação positiva de 0,05% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,96%. NUBANK, que é listado nos EUA, recuou 2,68%, com relatório do Itaú BBA cortando a recomendação das ações de "outperform" para "market perform".
• VALE ON caiu 2,14%, em pregão de oscilação modesta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 0,14%.
• MAGAZINE LUIZA ON avançou 6,64%, em sessão positiva também para ações de outros varejistas, com ASSAÍ ON subindo 4,66% e LOJAS RENNER ON valorizando-se 3,14%, endossadas pelo alívio nas taxas dos DIs com prazos mais longos e expectativa de novo alívio monetário no Brasil.
• BRASKEM PNA, que não faz parte do Ibovespa, desabou 15,17%, após analistas do UBS BB cortarem a recomendação das ações para venda, reduzindo o preço-alvo de R$10,50 para R$3,75. Os analistas afirmaram que continuam sem enxergar uma saída fácil para o cenário atual da companhia. O jornal Valor Econômico também reportou que a petroquímica enviou aos credores termos mais detalhados para sua reestruturação financeira e incorporou a previsão de deságio ("haircut") na dívida.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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