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Reforma nos impostos: em carta aberta, entidades tributárias pedem adiamento das medidas para 2028

Instituições manifesta 'profunda preocupação' diante de dificuldades operacionais e da falta de definições essenciais para a preparação dos contribuintes

3 nov 2026 - 14h29
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Resumo
Entidades tributárias pedem o adiamento do início da reforma tributária do consumo de 2027 para 2028, reservando o primeiro ano apenas para testes. Em carta aberta, o grupo alerta para a falta de definições cruciais, como a alíquota da CBS, a ausência de mecanismos para evitar conflitos judiciais entre instâncias estaduais e federais e sistemas operacionais incompletos. Segundo as instituições, a indefinição compromete a segurança jurídica e a adaptação das empresas às novas regras.

Entidades tributárias defendem a prorrogação do início da reforma tributária do consumo de 2027 para 2028. Em carta aberta, as instituições manifestam "profunda preocupação" diante da ausência de definições essenciais e dificuldades operacionais que impedem a preparação adequada dos contribuintes.

Em 2027 está previsto o início da implementação efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá os tributos federais PIS e Cofins. Com isso, as entidades pedem que essa implementação seja postergada para, no mínimo, 2028, reservando o ano de 2027 apenas para a realização de testes.

As entidades afirmam que a demora do poder público em definir os parâmetros normativos e disponibilizar os instrumentos operacionais fez com que os sistemas internos das empresas ainda não ficassem prontos para o novo modelo
As entidades afirmam que a demora do poder público em definir os parâmetros normativos e disponibilizar os instrumentos operacionais fez com que os sistemas internos das empresas ainda não ficassem prontos para o novo modelo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

"A implementação de uma reforma dessa magnitude exige previsibilidade, segurança jurídica e condições efetivas de adaptação. Entretanto, a apenas dois meses do início de 2027, permanecem indefinições relevantes que afetam diretamente a atividade econômica", diz a carta a que o Estadão/Broadcast teve acesso.

Pouco tempo para avaliar o impacto

Entre os pontos citados, as entidades apontam que ainda não há definição da alíquota da CBS aplicável a partir de 2027 e criticam a previsão de divulgação em 15 de dezembro de 2026, o que deixaria pouco mais de duas semanas para as empresas avaliarem impactos, renegociarem contratos, revisarem preços e adaptarem operações.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou no dia 18 de outubro uma proposta para que a alíquota da CBS seja de 11,3%, mas que ainda precisa ser chancelado pelo Senado até dezembro.

A carta menciona também a falta de uma estrutura processual adequada para solucionar os conflitos judiciais gerados pela Reforma Tributária. "A submissão desses tributos (CBS e IBS, o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços) a competências jurisdicionais distintas, sem mecanismos adequados de harmonização, cria o risco de decisões contraditórias sobre uma mesma operação", escreveram as entidades.

Esse é um dos principais gargalos deixados pela reforma. Isso porque o IBS ficará no lugar de tributos municipais e estaduais, e a CBS dos federais. Diante dessa lógica, embora os novos tributos sejam considerados gêmeos, a competência para julgar os litígios será de Justiças distintas: estadual e federal.

Outro ponto mencionado na carta é o sistema de apuração assistida dos tributos criados pela reforma, IBS e CBS, que ainda não está "plenamente operacional". Segundo a carta, isso impede que os contribuintes realizem os testes e se adaptem às novas obrigações tributárias.

Além disso, as entidades afirmam que a demora do poder público em definir os parâmetros normativos e disponibilizar os instrumentos operacionais fez com que os sistemas internos das empresas ainda não ficassem prontos para as exigências do novo modelo. A carta menciona risco de inconsistências, erros de apuração e descumprimento involuntário de obrigações tributárias.

"Não é razoável exigir que as empresas estejam integralmente preparadas para cumprir obrigações cujos parâmetros normativos e operacionais ainda não se encontram completamente definidos", diz a carta.

Quem assina o documento

A carta é assinada pelas seguintes entidades:

  • Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF)
  • Associação dos Conselheiros Representantes dos Contribuintes no Carf (Aconcarf)
  • Centro Nacional para a Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários (Cenapret)
  • Fundação Escola Superior de Direito Tributário (FESDT),
  • GTAX
  • Instituto Capixaba de Direito Tributário (ICDT)
  • Instituto dos Advogados do RS (Iargs)
  • Instituto Latino-Americano de Tributação Ambiental (Ilata)
  • Instituto de Direito Tributário do Paraná (IDT)
  • Instituto de Estudos Tributários (IET)
  • Mulheres no Tributário (MT)
  • OAB-DF
  • Instituto Tax Moot
  • Tax & Women
Estadão
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