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Redução da jornada no comércio pode tirar 0,32 ponto do PIB no curto prazo, diz estudo

Intensivos no uso de mão de obra, pequenos comércios serão os mais afetados por conta do corte de 44 horas para 40 horas semanais, conforme projeção de Ibevar — FIA Business School

26 fev 2026 - 19h41
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A redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais sem compensação de horas trabalhadas pode tirar, de imediato, 0,32 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de um ano, conforme estudo de Ibevar — FIA Business School.

A projeção leva em conta apenas o impacto da mudança da jornada em oito segmentos do comércio varejista, um dos setores mais intensivos no uso da mão de obra.

De acordo com o mais recente Boletim Focus do Banco Central (BC), o mercado espera crescimento do PIB para este ano de 1,82%. De acordo com esse estudo, essa taxa de crescimento recuaria para 1,5%, se a redução de jornada fosse aprovada.

"A retração pode ser maior, se forem considerados outros segmentos, como o setor de serviços, que também é intensivo no uso de trabalhadores", alerta o professor da FIA Business School Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, responsável pela projeção. Ele frisa que o estudo trata da geração de riqueza que é medida pelo PIB, não o faturamento do setor.

Para chegar ao efeito do corte de jornada na economia como um todo, foram consideradas três hipóteses. A primeira é que a produtividade do trabalho e do capital sejam mantidas no curto prazo. A segunda, que o estoque de capital fique constante. E a terceira, que não haja uma compensação de horas trabalhadas por meio de novas contratações de trabalhadores ou de horas extras.

Pequenos supermercados, que já enfrentam escassez de mão de obra, estão entre os segmentos do varejo mais afetados por conta da redução da jornada de trabalho
Pequenos supermercados, que já enfrentam escassez de mão de obra, estão entre os segmentos do varejo mais afetados por conta da redução da jornada de trabalho
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

O estudo foca apenas na redução de 9,1% no número de horas semanais, levando em conta a participação do capital e do trabalho em cada segmento do setor varejista. E os efeitos do corte na jornada variam em cada segmento do varejo, de acordo com o peso do trabalho no tipo de operação.

Pequenas lojas serão mais afetadas

Felisoni observa que o segmento que será mais afetado pela redução de jornada é de pequenos comércios de proximidade, geralmente intensivos no uso de mão de obra, que chega a responder por mais de 60% do valor adicionado.

Quem lidera esse ranking de queda de geração de riqueza são as pequenas lojas de tecidos, vestuário e calçados, com retração de 6,1%, seguidas pelos pequenos supermercados (-5,9%), pequenas lojas de materiais de construção (-5,6%), pequenas lojas de móveis, eletrodomésticos e materiais de escritório (-5,5%), por exemplo.

Caso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de redução de jornada seja aprovada pelo Congresso Nacional e passe valer, Felisoni acredita que, nos 18 meses seguintes, será pouco provável que as empresas invistam em ganhos de eficiência, automação acelerada ou reorganização de turnos de trabalho para compensar perdas. "Há muita incerteza no curto prazo, e o mercado de trabalho está apertado, dificulta a ampliação das contratações."

Estadão
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