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PT ganhou eleições por criar Bolsa Família, diz Paulo Guedes

Ministro da Economia destacou, porém, que o benefício nunca foi de R$ 600 como o auxílio emergencial pago no ano passado

4 mai 2021
17h21 atualizado às 17h28
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17h21 atualizado às 17h28
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o PT ganhou quatro eleições "merecidamente" após criar o programa Bolsa Família. A afirmação foi feita durante audiência pública realizada pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 4.

"O PT teve realmente a belíssima iniciativa de fazer um programa de transferência de renda importante. Ganhou quatro eleições seguidas merecidamente, porque fez a transferência de renda para os mais frágeis. Um bom programa, que envolvia poucos recursos e que tinha altíssimo impacto social, e que foi até inspiração para fazermos o dinheiro chegar na base", afirmou.

O ministro ressaltou, porém, que o valor do Bolsa Família não foi de R$ 600, como o auxílio emergencial no ano passado, porque não havia recursos disponíveis. "Na democracia, você dá mérito ao que for bem feito, mas explica porque não feito antes. O auxílio de R$ 600 não foi feito antes porque exige bases de financiamento sustentáveis no longo prazo. O próprio PT, que esteve no governo tanto tempo, não botou o Bolsa Família de R$ 600. Era R$ 170 porque o dinheiro tem que ser apanhado em outro lugar", completou.

Ministro Paulo Guedes concede entrevista depois do jantar com empresários
Ministro Paulo Guedes concede entrevista depois do jantar com empresários
Foto: Willian Moreira / Futura Press

Paulo Guedes disse que o governo deve lançar, em breve, um programa para os chamados "invisíveis", pessoas que não têm emprego formal nem são cobertas por medidas de auxílio econômico governamentais. O ministro voltou a citar o programa Bônus de Inclusão Produtiva (BIP) e disse que deve "soltar isso brevemente".

Em entrevista ao jornal O Globo no domingo, Guedes disse que o BIP deve pagar entre R$ 200 e R$ 300 para pessoas que fizerem curso preparatório para o mercado de trabalho. "Algum programa nós vamos dirigir para os invisíveis. Para quem não tem nem BPC nem Bolsa Família e estão andando por aí em busca de seu ganha-pão. É o nosso principal desafio", afirmou.

Atraso no Orçamento

O ministro afirmou que a demora na aprovação do Orçamento de 2021 foi "culpa de todos" os atores envolvidos. O Orçamento deste ano foi sancionado apenas no dia 22 de abril. "É culpa de todo mundo, porque Orçamento estava lá desde agosto. Com a guerra da pandemia o texto não foi aprovado, depois houve mudanças no comando da Câmara e do Senado. A política que dá o timing da coisa, e é assim que tem que ser", disse Guedes. "Não prevíamos a segunda onda da pandemia quando fizemos o Orçamento de 2021. Ninguém imaginou que a pandemia se transformaria num pesadelo dessa profundidade,"

Mais uma vez, o ministro alegou que foi o Congresso que cortou os recursos para o Censo de 2021 que estavam orçados na proposta inicial do governo. "Como vou mandar um pesquisador para diversas casas como um vetor de transmissão de doença. Imagino que o Congresso avaliou isso durante o processo político de debate do Orçamento. Não é que alguém levantou e cortou isso, é um processo complexo", repetiu.

A desindexação dos orçamentos públicos voltou a ser defendida pelo ministro. "Carimbar o dinheiro com indexação não protege o povo. Quem protege o povo é a política. A política deu 8,5% do PIB para a Saúde em 2020 e deu 130% de aumento no Fundeb para a educação básica. Se fosse só pela indexação o aumento seria de apenas 2% ou 3%", completou.

Câmbio

Em sua avaliação, o forte superávit comercial do Brasil deve ajudar a baixar a cotação do dólar no País. A equipe econômica espera um saldo positivo recorde US$ 89,4 bilhões na balança comercial em 2021. "Acho que o dólar vai cair mais para frente", projetou.

O ministro voltou a dizer que o governo alterou o mix de juros altos com dólar baixo. "Dissemos que iríamos mudar e os juros realmente chagaram a 2% ao ano, e o câmbio ficou mais alto um pouco. O câmbio brasileiro estava fora do lugar equilíbrio, que é mais alto. Não é tão alto como está agora, mas todas essas incertezas, doenças, perspectiva de recessão, dúvidas sobre reformas, boatos de que toda hora o ministro pode cair. Vivemos uma fase difícil, turbulenta", afirmou.

Guedes alegou que o Brasil ficou mais rico com a alta dos preços das commodities no mercado internacional, mas disse que essa riqueza precisa ser repartida com os mais pobres. Segundo ele, a competição no mercado de gás natural deve baratear o custo do combustível. "Espero que dentro de um ano, um ano e meio, o preço do gás natural possa cair 40%", completou.

Estadão
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