Projeções para o País ainda apontam mais inflação que crescimento
Os maiores desafios econômicos do Brasil, neste momento, são as ameaças comerciais dos Estados Unidos e a inflação crescente
Com emprego em alta, consumo estável, safra recorde e produção industrial superior à de um ano antes, os maiores desafios econômicos para o governo central, neste momento, são as ameaças comerciais dos Estados Unidos e a inflação crescente, subproduto das contas públicas desarranjadas.
Somados ao quadro internacional incerto, esses desafios compõem a justificativa do Banco Central (BC) para a manutenção dos juros básicos em 15%, segundo a nota divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira à noite.
Os preços no varejo têm aumentado juntamente com o emprego, a massa de rendimentos e o volume de consumo, claramente superior ao do ano passado.
Embora as projeções tenham diminuído recentemente, as estimativas do mercado ainda apontam uma alta de preços de 5,09% em 2025, segundo a mediana das projeções coletadas semanalmente pela pesquisa Focus.
A prévia da inflação mensal passou de 0,26% em junho para 0,33% em julho, acumulando taxa de 3,40% no ano e de 5,30% em 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Continua distante da meta oficial, 3% ao ano, e bem acima do teto da meta, 4,5%.
Em vigor desde 20 de junho, a taxa básica de 15% deve ser mantida por tempo indeterminado, de acordo com o último informe. Os juros básicos ultrapassaram a barreira de 10% em fevereiro de 2022, chegando naquela ocasião a 10,75%.
Oscilaram em seguida, voltaram a subir, atingiram 14,25% em março deste ano e a partir daí aumentaram para 14,75% e para o atual patamar de 15% o mais alto desde 2006.
Projeções do mercado indicam expansão de 2,23% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 1,89% no próximo e de 2% nos dois seguintes.
A taxa básica de juros, conhecida como Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) deve ficar em 15% até dezembro, situar-se em 12,50% no final de 2026 e em 10,50% no encerramento de 2027.
Baixo para os padrões do mundo emergente, o crescimento econômico projetado é compatível com a baixa expectativa de investimentos destinados a aumentar a capacidade produtiva.