Produção industrial no Brasil recua mais do que o esperado em setembro
A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro, superando as expectativas negativas e fechando o terceiro trimestre com recuo de 2,2%, o pior desempenho desde 2021. Pressionado pelos juros altos e pelo arrefecimento econômico, o setor acumulou retração de 4,1% desde maio, com perdas disseminadas em 17 dos 25 ramos pesquisados, sobretudo derivados de petróleo e alimentos. O resultado negativo acende um alerta para o PIB do período, amenizado apenas pela resiliência da indústria extrativa.
A indústria brasileira marcou o segundo mês seguido de retração da produção em setembro, com queda maior do que a esperada por economistas, em meio a um processo de arrefecimento da economia e diante dos impactos da taxa de juros elevada.
A produção industrial teve em setembro queda de 0,8% em comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No terceiro trimestre, a indústria acumulou queda de 2,2% da produção sobre os três meses anteriores, após alta de 0,2% no trimestre anterior, no desempenho mais fraco desde o segundo trimestre de 2021 (-3,1%).
O setor apresenta comportamento predominantemente negativo desde maio deste ano, sendo que o único mês em que não apresentou retração na comparação mensal nesse período foi julho, quando a produção ficou estável.
A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Esse foi o resultado mais fraco para meses de setembro desde 2022.
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 2,5% na produção industrial, contra expectativa de queda de 1,7%.
"A indústria vem com uma predominância de quedas desde maio, com perda acumulada de 4,1% e igualando o ganho de janeiro a abril de 4,2%", disse o gerente da pesquisa, André Macedo.
"Além da menor intensidade da indústria desde maio, o que se vê agora é um espalhamento e um agravamento dessa situação", afirmou, acrescentando que 17 dos 25 ramos pesquisados apresentaram perdas, pior marca desde dezembro de 2025.
A indústria brasileira vem mostrando perda de dinamismo em linha com o arrefecimento da economia no segundo semestre. A política monetária ainda restritiva pesa sobre o setor, apesar do mercado de trabalho resiliente, com impactos tanto nas decisões de consumo quanto de investimentos por parte das empresas.
"Os juros mais altos são a principal razão para o menor dinamismo da indústria brasileira", afirmou Macedo.
Na véspera, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano e, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.
Em setembro, as influências negativas mais importantes para o desempenho da indústria foram dadas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%).
Por outro lado, o crescimento de 1,7% nas indústrias extrativas exerceu a principal influência positiva, interrompendo quatro meses consecutivos de perdas.
"A produção industrial está em clara tendência de desaceleração e já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo, que no ano apresentam desempenho robusto", destacou André Valério, economista sênior do Inter, calculando que a produção industrial teria recuado 1,4% em setembro se excluídas as indústrias extrativas e de derivados de petróleo.
Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de capital caiu 1,9%, enquanto a de bens de consumo semi e não duráveis recuou 1,2% e a de bens intermediários teve queda de 0,7%. Os bens de consumo duráveis registraram alta de 0,7% na produção.
A queda da indústria no trimestre "representa um sinal negativo para o PIB do terceiro trimestre e adiciona viés de baixa à nossa projeção de queda de 0,2% (sobre o trimestre anterior)", disse Leandro Padulla, economista do ASA. "Ainda assim, a resiliência da indústria extrativa, especialmente da produção de petróleo, deve amortecer parcialmente a fraqueza dos segmentos mais cíclicos."
(Edição de Eduardo Simões e Isabel Versiani)
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