Produção da indústria no Brasil cresce mais que o esperado em abril
A indústria brasileira marcou em abril o quarto mês consecutivo de alta, iniciando o segundo trimestre com desempenho acima do esperado mesmo em meio a uma política monetária ainda restritiva.
A produção industrial registrou avanço de 0,7% em abril na comparação com o mês anterior, com expansão de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados, divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficaram acima das expectativas de economistas apontadas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,4% no mês e de 1,7% na base anual.
Ainda assim, a indústria brasileira opera 12,9% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011, de acordo com o IBGE.
O setor teve no primeiro trimestre alta de 1,0% sobre os últimos três meses do ano passado, de acordo com os dados do PIB divulgados pelo IBGE no mês passado, recuperando-se da queda de 0,7% no final de 2025 e registrando o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2023.
O setor vem buscando se recuperar em meio aos juros altos, com a Selic a 14,50% ao ano, um mercado de trabalho favorável e renda em alta. Também pairam os efeitos da guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz e vem pressionando a inflação.
Os dados mostraram que 14 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram avanço na produção em abril sobre março, com as influências mais significativas vindas das indústrias extrativas (3,1%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%).
"Nestas atividades, as pressões positivas mais relevantes vieram de óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, no caso do setor extrativo; e de álcool etílico e dos derivados do petróleo, especialmente o óleo diesel, para a atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis", explicou André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE.
Entre as categorias econômicas, tiveram resultados positivos em abril bens intermediários (1,5%) e bens de capital (0,1%). Por outro lado, os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e de bens de consumo duráveis (-3,2%) registraram quedas.
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