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Presidente do conselho de administração da Mover, dona da InterCement, renuncia ao cargo

Britaldo Soares passou a integrar o colegiado da ex-Camargo Corrêa em fevereiro de 2023 e tornou-se chairman em julho do mesmo ano; atual CEO da empresa, Leonardo Galvão acumulará o cargo

21 jun 2024 - 19h49
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Há um ano à frente do processo de reestruturação e venda da cimenteira InterCement, como presidente do conselho de administração da Mover Participações (ex-Camargo Corrêa), Britaldo Soares deixou, nesta quinta-feira, 20, o conselho de administração da holding controlada pela família do fundador, Sebastião Camargo. O executivo renunciou também ao cargo de conselheiro da companhia.

Fábrica da InterCement em Ijaci, MG
Fábrica da InterCement em Ijaci, MG
Foto: Divulgação / Intercement / Estadão

Para o cargo, os três ramos familiares que controlam a Mover indicaram o atual CEO da empresa, em consenso, segundo apurou o Estadão com pessoas que atuam no setor cimenteiro.

Em nota, a Mover confirmou a saída de Soares e a indicação de novo chairman. "A Mover informa que Leonardo Galvão, executivo que há mais de duas décadas atua no grupo em cargos de liderança, é o novo presidente de seu Conselho de Administração, substituindo Britaldo Soares. Galvão, nome referendado pelos acionistas, passa a acumular o cargo com a posição de CEO do Mover", informou ao Estadão.

Soares, que foi presidente da companhia de energia AES no País por vários anos, e é conselheiro de algumas empresas do setor, assumiu a vaga de conselheiro da Mover em fevereiro de 2023, a convite de André Pires de Oliveira Dias, um dos herdeiros do conglomerado e representante da terceira geração. Em julho do mesmo ano, com a saída de Wilson Brumer dos cargos de CEO e chairman da holding, o executivo foi nomeado presidente do conselho de administração.

Desde então, Soares esteve à frente do processo de reorganização financeira da InterCement Participações (ICP), atuando pela holding e representando os acionistas ao lado do conselho e da diretoria executiva da cimenteira. A companhia de cimento, com dívida financeira na casa de R$ 9 bilhões, avançou negociações com os credores de debêntures — Bradesco, Itaú e Banco do Brasil — para postergar os compromissos que começaram a vencer desde o primeiro semestre do ano passado. Mover e ICP obtiveram adiamento de cerca de R$ 1,3 bilhão vencido até o final de 2023 com os três bancos. No total, as debêntures, com prazo até 2027, somam R$ 4,7 bilhões, sem incluir juros dos valores atrasados.

Outra parte relevante da dívida da ICP vence em 17 de julho, com valor correspondente a US$ 549 bilhões (quase R$ 3 bilhões ao câmbio atual). As negociações com os bondholders das senior notes iriam começar neste mês, em que o processo de venda da cimenteira está em processo avançado com um interessado: o grupo CSN, de Benjamin Steinbruch. Outros grupos avaliaram e fizeram propostas, como Votorantim (por parte dos ativos) e a chinesa Huaxin Cement, mas não tiveram sucesso diante do modelo de compra da CSN.

Conduzido pelo BTG Pactual, contratado em setembro do ano passado, a cimenteira assinou em primeiro de maio um acordo de negociação exclusiva, não vinculante, com a CSN Cimentos Brasil para venda de 100% do capital da empresa. O prazo estipulado para as negociações vence em 12 de julho próximo. A ICP tem operações no Brasil, onde é a terceira maior produtora, e na Argentina, onde é líder de mercado com a controlada Loma Negra.

No momento, segundo informações de pessoas próximas do processo de venda, a CSN trava negociações com BB, Itaú e Bradesco para reestruturar o pagamento das debêntures, bem como o seu custo, vinculado ao CDI mais 3,75% ao ano. Steinbruch também vai negociar com os bondholders o montante de quase US$ 550 milhões.

A Mover não declarou os motivos da saída de Britado do seu colegiado, que conta com dois representantes de cada ramo familiar. As herdeiras da segunda geração sãos as três filhas do fundador: Regina, Rosana e Renata. Galvão também integrava o conselho da holding. O executivo vinha comandando na holding a interlocução com os bancos detentores de debêntures e com os grupos interessados na compra da cimenteira.

Unidade em Ijaci é uma das maiores do grupo no País
Unidade em Ijaci é uma das maiores do grupo no País
Foto: Divulgação/InterCement / Estadão
Fábrica da InterCement em Ijaci, MG
Fábrica da InterCement em Ijaci, MG
Foto: Divulgação / Intercement / Estadão
Estadão
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