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Presidente da Azul diz que compra da Latam ficou 'muito cara'

Afirmação foi feita após concorrente apresentar plano de recuperação judicial de US$ 8,19 bilhões

27 nov 2021 20h20
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Diante do plano de recuperação judicial apresentado na sexta-feira, 26, pela Latam, que inclui um aporte de US$ 8,19 bilhões (R$ 45,9 bilhões) no grupo, a Azul deverá recuar da tentativa de compra da concorrente. A avaliação da Azul é que ficou muito caro investir na Latam, sobretudo com o cenário de uma quarta onda de covid, que pode paralisar novamente o mercado aéreo internacional, afirmou ao Estadão o presidente da Azul, John Rodgerson.

"Se o mundo girar e tivermos uma oportunidade (para comprar a Latam), vamos olhar. Mas, nessas condições, não faríamos (nova proposta). Ficou muito caro, e a essência da empresa não mudou. Os custos com folha de pagamento, por exemplo, continuam iguais", disse o executivo.

Rodgerson afirmou que a Azul apresentou uma proposta para ficar com o controle da concorrente. O plano previa um aporte de cerca de US$ 5 bilhões por parte de alguns credores e era encabeçado pelo Moelis & Company.

O executivo, no entanto, diz acreditar que o plano da Latam pode enfrentar entraves na Justiça dos Estados Unidos, onde corre o processo. Isso porque os acionistas da Latam terão preferência na compra de ações e de títulos conversíveis.

Na manhã deste sábado, 26, porém, o presidente da Latam, Roberto Alvo, afirmou que a proposta dá um "tratamento equitativo para os stakeholders". "Dá a possibilidade para credores grandes e pequenos participarem via bônus convertidos (em ações)", acrescentou o executivo.

O plano da Latam prevê uma oferta de direitos de compra de ações no valor de US$ 800 milhões, que será aberta aos acionistas. Também serão emitidas três classes de títulos conversíveis, que serão oferecidos preferencialmente aos acionistas do grupo e, posteriormente, a determinados credores. Esses títulos devem somar US$ 4,64 bilhões.

O grupo ainda deverá levantar US$ 500 milhões em uma nova linha de crédito rotativo e aproximadamente US$ 2,25 bilhões em financiamento de dívida por meio de novos recursos, que podem ser um novo empréstimo a prazo ou novos títulos.

Atingida em cheio pela pandemia, a Latam foi a empresa que atua no mercado doméstico brasileiro que mais sofreu com a crise. Isso porque tem uma operação internacional maior que suas concorrentes. O grupo pediu recuperação judicial (chapter 11) em Nova York no fim de maio de 2020, a unidade brasileira da companhia aderiu ao pedido 40 dias depois.

De acordo com Roberto Alvo, a expectativa da Latam é deixar a recuperação judicial em meados de 2022. O plano da empresa será avaliado pela Justiça americana em 27 de janeiro. Após isso, a companhia terá um período de exclusividade para negociar a aprovação do plano com credores.

Estadão
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