Preços nas prateleiras do Brasil estão entre os mais caros
"Eletrônicos e roupas são bem mais baratas no exterior do que no Brasil". Essa é uma frase comum entre brasileiros ao redor do mundo que retornam ao país e percebem uma grande diferença entre os preços lá e aqui. Não só em bens de consumos duráveis está a diferença: uma lata de Coca-Cola na China, por exemplo, pode custar apenas R$ 0,71, enquanto no Brasil seu preço é cerca de R$ 1,79 nos supermercados. Custo de produção, câmbio, taxas tributárias. Estes são alguns dos fatores que influenciam para que os preços do mesmo produto sejam distintos entre diversos países.
Entretanto, o Brasil não é o vilão dos preços. Alguns produtos de consumo diário são mais baratos nos supermercados brasileiros. Um exemplo é o pacote de café instantâneo usado nas cafeteiras. Em um supermercado da China, um pacote de 600g custa 68 iuans, a moeda chinesa, o que equivale a R$ 22,89. Do outro lado do mundo, nos Estados Unidos, um pacote com o equivalente a 350ml custa US$ 6,98, ou R$ 14,64. Já no Brasil, um pacote de 500g de café custa R$ 8,79.
A afirmação de brasileiros que atravessaram oceanos e continentes e puderam perceber a diferença de preços entre a sua nação e as outras é verdadeira. Componentes como eletrônicos e peças de roupa podem, de fato, apresentar preços mais altos em território brasileiro. Uma TV de LCD de 32 polegadas custa no Brasil R$ 1.049, enquanto na Alemanha ela pode valer 229 euros, ou R$ 621,94; e na Espanha, 249 euros, ou R$ 676,26. Nos Estados Unidos para comprar o mesmo aparelho, o consumidor pode pagar até US$ 248, o equivalente a R$ 520,30, preço ainda mais baixo que na Europa.
O preço de uma calça jeans também varia bastante conforme o país. Um jeans skinny feminina custa na China 199 iuans, cerca de R$ 66,98. Na Espanha e na Alemanha, o mesmo modelo tem o valor de 19,95 euros, ou R$ 54,18. Nos Estados Unidos, o preço é ainda mais baixo: US$ 19,95, o equivalente a R$ 41,86. O preço mais alto está no Brasil. Uma calça desse modelo pode ser comprada por R$ 79,90 - uma estimativa até mesmo baixa para os valores de fato encontrados no País.
O professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli, explica que um dos motivos para as diferenças de preços é o valor de produção em cada país, como o valor da mão de obra. "A própria escala de produção pode ter influência na fixação de preços menores", afirma Piscitelli. Ele explica que a um produto novo no mercado, como um eletrônico, por exemplo, é dado um preço muito elevado, logo a escala de produção é reduzida. Quando a escala é elevada novamente, o custo médio de produção cai, o que permite que o valor do produto seja menor.
A taxa tributária de cada país pode também ter reflexos no preço dos produtos, além da taxa de câmbio. "A carga tributária brasileira é bem mais elevada que nos Estados Unidos. Isso é um fator de oneração de custos", diz Piscitelli. A China, apesar de ter custos de produção baixos, tem um problema de desvalorização do câmbio, como explica o professor da UnB. Segundo Piscitelli, isso estimula as exportações, mas prejudica as importações, afetando o valor dos produtos.
A renda e o valor do salário em cada país podem também influenciar para que o preço de um produto seja menor ou maior. O professor Piscitelli faz uma comparação entre os estados brasileiros para explicar o fator. "Se eu levar em conta os salários que são praticados no Distrito Federal, a renda per capita é três vezes a média da renda nacional. Não se pode comparar o aluguel que é cobrado em Brasília por um aluguel de imóveis e o que é praticado no Rio Grande do Sul", exemplifica.