Plataforma de comércio Brasil-China é lançada com meta de ampliar fluxo e reduzir risco comercial
Ferramenta foi desenhada para atuar como um hub integrado de serviços, conectando empresas brasileiras e chinesas em diferentes etapas da cadeia
A Plataforma de Comércio de Produtos China-Brasil (CBBC) foi formalmente lançada nesta terça-feira, 14, durante a Conferência de Intercâmbio e Cooperação Econômica e Comercial entre a China (Shandong) e o Brasil, com a proposta de reduzir gargalos históricos no comércio bilateral, especialmente no agronegócio. A iniciativa é liderada pela presidente do Qingdao Muyifan Holding Group e fundador da plataforma, Yang Fan.
"O motivo é oferecer as melhores soluções de abastecimento estáveis, confiáveis e profissionais para todos os clientes, especialmente no setor de agricultura", afirmou, durante evento em São Paulo.
Segundo ela, apesar do avanço das trocas entre os dois países, persistem desafios estruturais relevantes. Yang citou "distância geográfica", "falta de profissionais bilíngues", "mecanismos de crédito ainda não totalmente desenvolvidos" e problemas pontuais, como abandono de cargas ou falhas documentais. "O compartilhamento das informações não está bem feito", disse.
A CBBC foi desenhada para atuar como um hub integrado de serviços, conectando empresas brasileiras e chinesas em diferentes etapas da cadeia. "Se você tem uma fábrica boa que pode atender o mercado do Brasil ou o mercado da China, podemos trazer os seus produtos para os dois países", afirmou. A estrutura inclui centros de distribuição e galpões em ambos os mercados.
Um dos pilares da plataforma é a digitalização das operações. "Queremos deixar todos os documentos e o rastreamento em um único site", disse Yang Fan, destacando que a proposta é permitir o acompanhamento completo das cargas e facilitar pedidos com entregas rápidas.
A iniciativa também pretende atuar na curadoria de fornecedores e mitigação de riscos comerciais. "Podemos dar uma boa sugestão de quais são mais confiáveis, têm mais crédito", afirmou, citando o uso de ferramentas de análise e histórico de transações. Segundo ela, o serviço será oferecido sem custo para produtores.
Além disso, a plataforma prevê suporte institucional e regulatório. "Fazemos registro de empresa, certificação, estudos de crédito e consultoria", disse, mencionando também apoio em processos alfandegários.
O lançamento ocorre em um momento de intensificação das relações comerciais entre Brasil e China. "A China já é há anos a maior parceira comercial do Brasil", afirmou Yang, destacando que o país asiático se mantém como principal destino dos produtos agrícolas brasileiros.
Do lado chinês, ela ressaltou o crescimento recente das exportações para o Brasil. "A China teve crescimento de 36% de 2025 em comparação com 2024", disse. Yang também chamou atenção para o papel da província de Shandong no comércio com o Brasil. "Shandong é a província que exporta mais produtos agrícolas para o Brasil", afirmou.
A expectativa com a CBBC é ampliar o fluxo e diversificar a pauta comercial entre os países. "Queremos trazer mais produtos brasileiros para a China, como café, mandioca, açaí, guaraná e carne", disse. "Já importamos carne do Brasil, de muito boa qualidade e com preço muito bom." Além do agronegócio, a plataforma deve avançar em outros segmentos, como máquinas agrícolas e equipamentos eletrônicos.