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Planta de aviação da GE no Rio de Janeiro mostra como grupo aposta na globalização e contra tarifas

Segundo executivo, a companhia tem conversado com o governo Trump em defesa de restabelecer pacto internacional de 1979 que definiu tarifa zero para produtos aeroespaciais

1 set 2025 - 15h53
(atualizado às 16h01)
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ENVIADA ESPECIAL A PETRÓPOLIS - Três em cada quatro aviões no mundo voam com motores que levam tecnologia da fabricante norte-americana GE Aerospace. Para atender clientes em 130 países, a companhia mantém sete polos próprios de revisão e manutenção, sendo um deles no Brasil, mercado considerado estratégico. Nesse cenário de operações globalizadas, a empresa avalia que a tarifa zero como o caminho mais adequado para o setor aeroespacial.

Apesar de escapar das sobretaxas impostas pelo governo Trump, empresas brasileiras de aviação que exportam para os EUA ainda estão submetidas a uma tarifa de 10%. Diante do alto valor agregado do segmento, companhias como a Embraer têm defendido a retomada da isenção.

A GE Aerospace, que também atua em países afetados pelas tarifas, endossa esse pleito. "Mesmo sendo uma empresa americana, entendemos que tarifa zero seja o mais correto, porque a indústria aérea é global", afirma Luiz Froes, diretor executivo regional da GE Aerospace e vice-presidente de Relações Governamentais para a América Latina.

Segundo o executivo, a companhia tem atuado para sensibilizar o governo dos EUA sobre o tema. "Larry Culp, nosso CEO, tem conversado com a administração americana para advogar pelo restabelecimento do acordo de 1979", diz. O pacto, assinado inicialmente por 30 países, estabeleceu tarifas zero para produtos aeroespaciais.

Froes lembra que o setor foi amplamente beneficiado desde então. "Os EUA, por exemplo, tiveram um superávit de cerca de US$ 75 bilhões desde a assinatura". Acordos mais recentes com a União Europeia reforçam o otimismo. "A tendência é de que esses consensos sejam replicados, criando precedentes. Nossa expectativa é de que todos caminhem para tarifa zero no setor", completa.

A GE Aerospace atua como empresa independente desde 2024, quando a GE matriz foi desmembrada em outras três. Foram criadas também a GE HealthCare e a GE Vernova, de energia. Listada na New York Stock Exchange, a GE Aerospace registrou receita ajustada de US$ 19,15 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta anual de 18%.

Relevância brasileira

As tarifas não afetam diretamente a operação da GE Aerospace no Brasil, que atua oferecendo serviços de manutenção e revisão de motores. Das revisões realizadas em oficinas próprias da companhia globalmente, 25% são feitas pela GE Celma, em Petrópolis, cidade de menos de 300 mil habitantes na região serrana do Rio de Janeiro.

Fundada em 1951, a Celma nasceu como fabricante de eletrodomésticos, mas poucos anos depois migrou para a manutenção de motores aeronáuticos. Após passar pela gestão da Panair e, em seguida, pelo controle estatal, foi privatizada em 1991 no governo Collor. Desde 1996, está integralmente sob o comando da GE.

A unidade é uma sete oficinas próprias da companhia, também localizadas nos EUA, Malásia e países europeus. "Faz muito sentido para nós operar aqui. O Brasil é estratégico, por isso temos ampliado nossas instalações e realizado novos investimentos", afirma Froes.

A GE Aerospace está desembolsando R$ 430 milhões para construir uma nova planta da subsidiária GE Celma em Três Rios, município vizinho a Petrópolis. Prevista para ser inaugurada na primeira metade do ano que vem, a unidade permitirá à empresa dobrar a capacidade de revisão de motores, subindo de 500 para mil até o início da próxima década.

Além das companhias aéreas brasileiras, a lista de clientes da GE Celma inclui American Airlines, United, Aeroméxico, Southwest e Ryanair. No setor de entregas, Amazon, FedEx e UPS estão entre as empresas atendidas.

Diferenciais

Transportar motores até Petrópolis exige uma logística complexa. Normalmente, os equipamentos chegam ao País pelo Aeroporto de Viracopos, em Campinas, um dos principais hubs de carga do Brasil. Dali, seguem por caminhão até a serra fluminense, em um trajeto de cerca de 500 quilômetros.

Froes ressalta que a GE Celma possui diferenciais que compensam os desafios logísticos, como a alta capacidade instalada de reparo. De todas as peças que demandam algum tipo de conserto, cerca de 90% são resolvidas internamente. "O fato de não termos que enviar essas peças para o exterior reduz o tempo de entrega e os custos", explica.

Outro fator é a existência do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), que permite importar peças sem cobrança imediata de impostos. "Isso traz agilidade logística e reduz custos, o que torna viável para nossos clientes enviarem motores até mesmo de outros continentes para a GE Celma", afirma.

A repórter viajou a convite da GE Aerospace

Estadão
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