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Petroquímica Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial, com dívida de mais de US$ 10 bi

Empresa pretende negociar nos próximos 90 dias o desenho final do seu plano de reestruturação

24 ago 2026 - 07h58
(atualizado às 08h40)
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Resumo
A Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar mais de US$ 10 bilhões em dívidas, ganhando 90 dias de proteção contra credores. A maior resistência vem de bondholders, que detêm cerca de US$ 7 bilhões do total. O processo ocorre em meio ao plano de recuperação de sua subsidiária mexicana e à recomendação de venda de ações reiterada pelo Citi, que aponta crise de liquidez e incertezas no setor petroquímico quanto à reestruturação da companhia.

A Braskem protocolou na madrugada desta segunda-feira, 24, seu pedido de recuperação extrajudicial, envolvendo dívidas de mais de US$ 10 bilhões, segundo pessoas próximas à operação. Hoje vence o prazo de 60 dias de proteção contra credores obtido pela petroquímica. Com o pedido de recuperação extrajudicial protocolado, a empresa obtém mais 90 dias de proteção, durante os quais irá negociar com credores um plano de reestruturação final, com adesão de 50% mais 1 desses credores.

Para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial, é preciso a adesão de 33% dos credores. Até a última sexta-feira, a Braskem ainda tentava chegar a um consenso com essa fatia de credores, entre os quais bancos e alguns detentores de títulos de dívida emitidos pela empresa no exterior (bondholders). As negociações, segundo fontes, seguiram pelo final de semana.

Unidade da Braskem em Maceió
Unidade da Braskem em Maceió
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Estadão

Da dívida de mais de US$ 10 bilhões, cerca de US$ 7 bilhões estão com bondholders. Esse é o grupo junto ao qual a Braskem enfrentou maior resistência à sua proposta inicial de somente alongar prazos e obter carência de pagamentos.

Na semana passada, a companhia conseguiu encaminhar a situação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, cujo pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos trouxe, como parte da proposta, um aporte da Braskem de US$ 476 milhões, dos quais aproximadamente US$ 126 milhões já haviam sido desembolsados antes do pedido de Chapter 11, e outros US$ 230 milhões devem ter desembolso no curto prazo. O restante será colocado na subsidiária mexicana em seis meses.

Citi recomenda venda

Na sexta-feira, o Citi atualizou seu modelo para a Braskem com novas estimativas macroeconômicas e de commodities e reiterou a recomendação de venda dos papeis, com preço-alvo de R$ 4,50 por ação preferencial, o que representava um potencial de baixa de 11,8% ante o fechamento do papel no pregão de quinta-feira.

Em relatório, o banco diz acreditar que a empresa pode apresentar bons resultados operacionais, sustentados principalmente por spreads melhores em meio a interrupções de oferta e à escalada do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, o banco considera que esse desempenho positivo não deve ser suficiente para alterar a situação da Braskem, descrita como crítica.

Segundo o Citi, o pano de fundo segue marcado por aperto de liquidez e pelas discussões em andamento com credores e investidores sobre o plano de reestruturação da empresa. O banco também afirma ter reduzido um pouco as estimativas a partir de 2027, após a queda dos spreads petroquímicos.

O banco estima que o Ebitda (geração de caixa) da Braskem parece ter atingido um pico no segundo trimestre de 2026, uma vez que observam uma deterioração de alguns spreads petroquímicos para os próximos períodos. Ao mesmo tempo, aponta que uma escalada do conflito no Oriente Médio pode levar a spreads acima do esperado.

"Assim, consideramos o cenário atual repleto de incertezas quanto à estrutura de capital e ao plano de reestruturação da Braskem. Esse fator, somado à deterioração dos fundamentos do setor petroquímico, embasa nossa recomendação de venda com alto risco para a petroquímica, levando em conta que a empresa poderá anunciar em breve um pedido de reorganização judicial, dado o fim do prazo de sua liminar", afirma o banco.

Estadão
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