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Para EUA, Argentina deixou de priorizar OCDE e Brasil 'realmente queria'

Secretário de Estado americano e Ernesto Araújo devem se encontrar na Colômbia na próxima semana e tratar do tema

16 jan 2020 20h46
| atualizado às 20h55
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WASHINGTON - A decisão do governo americano de pedir que o Brasil seja priorizado na fila de países que tentam entrar como membros na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), passando o País na frente da Argentina, não é um sinal de reprovação do governo de Alberto Fernández. Autoridade do departamento de Estado americano afirmou, em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira, 16, que a decisão tem relação com o fato de a Argentina dar mais importância, neste momento, à renegociação da dívida pública do que à adesão à OCDE. "Ao mesmo tempo o Brasil realmente queria seguir adiante nisso, então apoiamos fortemente a candidatura deles. Mas são duas ações independentes", afirmou a fonte da diplomacia americana.

O Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, deve se encontrar com o chanceler Ernesto Araújo na semana que vem, em Bogotá. Na ocasião, Pompeo pretende reafirmar o apoio americano à entrada do Brasil na OCDE e debater a parceria entre os dois países na "luta global contra o terrorismo". Pompeo viaja para a Colômbia no próximo dia 20, para a 3ª Conferência do Hemisfério Ocidental de Combate ao Terrorismo.

Jair Bolsonaro e Donald Trump fazem pronunciamento durante visita do brasileiro à Casa Branca.
Jair Bolsonaro e Donald Trump fazem pronunciamento durante visita do brasileiro à Casa Branca.
Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil - 19/3/2019 / Estadão

O governo Trump mudou de posição sobre a fila de candidatos da OCDE nesta semana. Até agora, os EUA vinham se comprometendo com o apoio ao pleito brasileiro de entrar na OCDE, sem indicar formalmente em que posição o Brasil ocuparia na "fila"de candidatos, o que deixava o País no limbo. A mudança aconteceu depois da entrada do novo governo Argentino e da cobrança da diplomacia brasileira por um sinal mais claro, depois de o Brasil ter mostrado alinhamento com os americanos.

A promessa de que os EUA apoiariam o pleito brasileiro de entrada na OCDE foi feita em março, durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Donald Trump, na Casa Branca. Em agosto, no entanto, a agência Bloomberg revelou que o secretário de Estado, Mike Pompeo, enviara carta à organização na qual manifestou o apoio dos EUA à entrada da Argentina e da Romênia, sem menção ao Brasil. A posição americana frustrou o governo brasileiro na época.

Os EUA têm defendido um plano lento de expansão do organismo, contrário ao cronograma defendido pelos europeus que abarcaria previsões e plano de adesão dos seis candidatos atuais. Depois da vinda à tona da carta de Pompeo, o secretário de Estado e Trump reiteraram o apoio ao Brasil, mas novamente sem se comprometer com prazos ou estabelecimento de um cronograma que abarque previsão de entrada para os demais candidatos.

Desde então, o Itamaraty vem cobrando que os americanos somem às declarações de apoio à entrada do País na OCDE um cronograma claro de adesão que contemplasse o Brasil. No final do ano passado, diplomatas brasileiros receberam um aceno dos americanos de que o País teria boas notícias sobre a questão da OCDE. Já se especulava, dentro do governo brasileiro, de que o processo de adesão da Argentina poderia perder força. A avaliação é de que o governo eleito ano passado, de Alberto Fernández, já não prioriza a entrada na OCDE como fazia o governo Macri, o que quase anula o desgaste dos EUA com o país ao passar o Brasil na frente.

Presidente Jair Bolsonaro faz live durante pronunciamento de Donald Trump sobre ataques do Irã
Presidente Jair Bolsonaro faz live durante pronunciamento de Donald Trump sobre ataques do Irã
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão
Estadão
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