Países da Ásia adotam medidas para lidar com crise de energia em meio à guerra no Oriente Médio
Banco Asiático de Desenvolvimento lançou um pacote de financiamento de emergência para países fortemente afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz
Países da Ásia estão implementando medidas para lidar com a crise de energia após ataques dos EUA e de Israel ao Irã terem desencadeado o bloqueio do Estreito de Ormuz, importante rota de escoamento de petróleo de alguns produtores do Oriente Médio, fornecedores importantes para as nações asiáticas.
Em meio ao impacto, o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB, em inglês) lançou nesta terça-feira, 24, um pacote de financiamento de emergência para países fortemente afetados pelas consequências da guerra.
Entre as medidas, a instituição fará o desembolso rápido de apoio orçamentário para ajudar os países em desenvolvimento que enfrentam pressões fiscais acentuadas, principalmente por meio do Mecanismo de Apoio Anticíclico do banco, para auxiliar os governos a estabilizar suas economias e mitigar o impacto de choques sobre a vida e os meios de subsistência daqueles que estão em maior risco.
O ADB ainda acionará o Programa de Financiamento do Comércio e da Cadeia de Abastecimento (TSCFP), que apoia o setor privado para garantir a continuidade do fluxo de importações essenciais, incluindo energia e alimentos. O banco decidiu reativar o apoio às importações de petróleo no âmbito do programa, em caráter excepcional e por um período limitado.
Na Coreia do Sul, o ministro da Energia, Kim Sung Whan, afirmou que Seul reiniciará cinco reatores nucleares em maio, flexibilizará as restrições às usinas de carvão e expandirá as fontes de energia renováveis para reduzir a dependência de longo prazo do gás natural liquefeito, segundo a World Energy News.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, iniciou ainda na terça-feira uma campanha nacional de economia de energia. Ele afirmou que as instituições públicas reduziriam o uso de carros particulares. O governo estimulará a adoção de horários de deslocamento escalonados para veículos, bem como medidas para redução de consumo por parte das 50 maiores empresas consumidoras de petróleo.
Segundo parlamentares e o Ministério da Indústria, a Coreia do Sul importa 70% do seu petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz. O país enfrenta uma iminente crise energética, apesar de possuir reservas de petróleo de 190 milhões de barris. Destes, 100 milhões pertencem ao governo e 90 milhões a refinarias privadas, ainda de acordo com a World Energy News.
Filipinas, Tailândia e Vietnã estão recorrendo ao carvão para suprir a escassez de GNL. A Índia está queimando mais carvão para atender à maior demanda de verão. Queimar mais carvão pode agravar a poluição atmosférica nas grandes cidades, retardar a transição para energias renováveis e aumentar as emissões de gases de efeito estufa na região.
Na China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma anunciou que reduzirá um aumento planejado no preço dos produtos petrolíferos refinados domésticos para limitar a pressão sobre os consumidores, segundo o The Wall Street Journal. O país é um importador líquido de petróleo, e cerca de 45% de seus suprimentos transitam pelo Estreito de Ormuz.
O Japão liberará aproximadamente um mês de reservas nacionais de petróleo bruto — equivalente a 53,46 milhões de barris ou 8,5 milhões de litros, avaliados em cerca de 540 bilhões de ienes (US$ 340,31 milhões) — a partir de quinta-feira, de acordo com um comunicado do Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês divulgado nesta terça-feira. A liberação visa garantir que não haja interrupção no fornecimento no mercado interno, acrescentou o ministério.
O governo japonês pretende ainda alocar aproximadamente 800 bilhões de ienes (cerca de US$ 5 bilhões) do fundo de reserva do orçamento deste ano para mitigar o aumento acentuado nos preços da gasolina e outros bens, segundo a NHK.
Enquanto o suprimento mundial de combustível está se tornando mais restrito no Sul da Ásia, o CEO da Shell, Wael Sawan, afirmou que, em breve, o Nordeste da Ásia deve ser afetado. A Europa deve começar a ver escassez em abril, disse o executivo no evento Ceraweek, realizado em Houston, nesta terça-feira.