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Órigo prevê R$100 mi para microgeração solar em 2019, diz CEO; Mitsui ajuda expansão

18 mar 2019
18h32
atualizado às 18h59
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A empresa de energia solar Órigo prevê investir cerca de 100 milhões de reais neste ano, o que deverá praticamente dobrar sua capacidade instalada no Brasil, disse à Reuters nesta segunda-feira o presidente da companhia, que acaba de ser alvo de um aporte do grupo japonês Mitsui.

Logo da Mitsui, que adquiriu 16,87 por cento da Órigo
10/01/2018
REUTERS/Toru Hanai
Logo da Mitsui, que adquiriu 16,87 por cento da Órigo 10/01/2018 REUTERS/Toru Hanai
Foto: Reuters

Especializada em geração solar de pequeno porte, a Órigo instala sistemas fotovoltaicos em telhados de casas e comércios ou em áreas remotas, com a produção das unidades sendo utilizada para abater cobranças na conta de luz de seus clientes, em um modelo conhecido como microgeração distribuída.

A Mitsui, que já possui diversos negócios no Brasil, teve na semana passada aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para comprar uma fatia de 16,87 por cento na Órigo, que tem como maiores acionistas o fundo norte-americano de private equity TPG e a MOV Investimentos.

"Os recursos entrarão por meio de um aumento de capital e serão utilizados para investimentos, 100 por cento para investimentos", disse o CEO da Órigo, Surya Mendonça.

"Não muda nossos planos, que para este ano são de a gente dobrar de tamanho. A entrada da Mitsui vem para ajudar nisso", acrescentou o executivo, que não quis revelar os valores envolvidos no negócio.

Os investimentos deverão levar a Órigo a fechar o ano com cerca de 40 megawatts em capacidade instalada em unidades de microgeração solar, também chamadas pela empresa de fazendas solares.

Os empreendimentos serão todos no Estado de Minas Gerais, onde estão as instalações da companhia já em operação.

Pelo modelo de negócios da Órigo, clientes comerciais podem optar por pagar uma mensalidade a ela, recebendo em troca uma parcela da geração das fazendas solares, que é abatida da conta de luz.

"Com esse modelo de negócio, não é necessário fazer nenhum investimento em equipamentos ou instalações", afirmou Mendonça, que estima que os clientes podem economizar 10 por cento ao aderir à microgeração.

Segundo o executivo, as conversas para entrada da Mitsui no quadro de sócios da empresa começaram ainda no ano passado.

"Acho que na primeira semana de abril a transação vai estar concluída", afirmou ele, destacando que o plano de negócios da Órigo já previa a atração de um novo sócio para apoiar os investimentos.

FUTURO EM DEBATE

As instalações de microgeração solar têm crescido em forte ritmo no Brasil, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem avaliado possíveis mudanças nas regras para os sistemas, com temores de que subsídios concedidos à tecnologia possam pesar demais sobre os demais consumidores no longo prazo.

O órgão regulador abriu um processo de audiência pública sobre o tema, com uma proposta inicial de reduzir os incentivos à microgeração a partir de quando a capacidade desses sistemas chegar a um certo patamar.

Pela proposta, as novas regras valeriam a partir de determinados níveis de capacidade em cada Estado e para cada tecnologia, com uma marca diferente para os sistemas em telhados e os remotos, caso das fazendas solares.

O diretor da Aneel Rodrigo Limp disse à Reuters que a agência estima que os gatilhos poderiam em média serem atingidos em 2024 para os sistemas em telhados e em 2022 para as usinas remotas.

"Mas isso é uma média Brasil. Por exemplo, em Minas Gerais, que tem uma instalação de microgeração solar bem maior que em outros Estados, provavelmente atingiria antes", explicou.

As possíveis alterações estão no centro das atenções dos investidores do setor, que atrai desde pequenos instaladores até grandes elétricas e fundos.

A elétrica EDP Brasil, por exemplo, anunciou que deverá também investir cerca de 100 milhões de reais em microgeração solar em 2019.

"Nós estamos acompanhando. A gente precisa de regras que sejam favoráveis, porque o setor está muito no começo. Se não, vai inibir investimento", afirmou Mendonça, da Órigo.

A audiência pública da Aneel sobre a microgeração ficará aberta para contribuições até meados de abril.

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