Terceira economia mundial, Japão tem dívidas de 245% do PIB
A economia nipônica está estagnada há duas décadas. E as perspectivas de recuperação são pouco positivas. Para especialistas, as recentes medidas adotadas pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, não devem ser suficientes para retomar o crescimento econômico, devido à retração mundial, mas podem quebrar a inércia do país asiático. Apesar disso, é a terceira maior do mundo, quando levado em conta o Produto Interno Bruto (PIB) Nominal - estimado em US$ 5,98 trilhões -, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Diretor acadêmico das Faculdades Integradas Rio Branco e membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (Gacint) Alexandre Uehara afirma que não há um único fator responsável pela estagnação da economia japonesa, mas alguns elementos associados. São eles: a baixa demanda doméstica, que é influenciada pela deflação; a valorização da moeda, o iene, que tornou mais caro e, por consequência, diminuiu a competitividade dos produtos japoneses, porém este fator está sendo revertido; além das dificuldades enfrentadas pelos principais parceiros comerciais do Japão.
De acordo com o FMI, a dívida do Japão chegou ao valor recorde de 245% do PIB em 2013. Para Uehara, não se pode afirmar categoricamente que o Japão superará a estagnação econômica com a politica atual, mas um elemento positivo da gestão de Abe foi ter conseguido quebrar a inércia da economia. Porém, o crescimento obtido até o momento - 0,9% no primeiro quadrimestre de 2013 - não é garantia de nada. “Há também um risco importante na politica que está sendo desenvolvida no Japão, pois envolve um aumento do endividamento, e o país já tem a maior dívida pública do mundo”, afirma.
Os japoneses, entretanto, estão otimistas. Conforme pesquisa de opinião divulgada pelo Banco Central do Japão, a proporção dos entrevistados que consideram que a situação econômica do país irá melhorar no próximo ano subiu de 4,5% para 24,1% de dezembro de 2012, quando Abe assumiu, até março deste ano. A pesquisa aponta também quantos consideram que a situação econômica irá piorar: o número caiu de 37,6% para 13,3%.
A previsão de crescimento da economia japonesa para 2013 é de 1,6%. “Para o comércio exterior, pode-se apontar que houve já uma influência da desvalorização do iene como um fator de estímulo, elemento que é parte da politica implementada pelo atual primeiro-ministro”, explica Uehara. De janeiro a maio de 2013, houve uma variação de mais de 15% do dólar frente ao iene. Assim, os produtos japoneses ficaram 15% mais baratos no mercado internacional.
Abenomics tem papel fundamental
Apelidado de Abenomics, o pacote de medidas econômicas do País tem a meta de duplicar a base monetária em dois anos. Nesse prazo, a meta é uma taxa inflação em torno de 2% ao ano para alcançar a deflação em uma década e meia. Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) Gilmar Masiero, as medidas estão causando uma enorme confusão no sistema financeiro. A médio prazo, podem contribuir para uma retomada mais vigorosa da atividade econômica japonesa. Já a longo prazo, aumentarão as dificuldades relacionadas à administração da já elevada divida pública.
“Vale lembrar que o Abe já foi primeiro-ministro não faz muito tempo e, naquele momento, nada pôde fazer. Na atual conjuntura da economia internacional, não consigo ser muito otimista com o Abenomics”, diz Masiero. Para o professor, as economias estão interconectadas pelas cadeias globais de produção, e o Japão é um grande player. “No fronte externo, a recuperação da economia americana ainda é tímida e a recessão na zona do euro persiste. Além disso, o desaquecimento chinês também não ajuda o Japão”, avalia.